Um autêntico “atentado” à classe dos professores é o artigo publicado, no jornal “Correio da Manhã”, há duas semanas atrás, da autoria do jornalista Emídio Rangel.
O artigo, feito circular entre os professores, via e-mail, por alguém mais atento, logo após a sua publicação, gerou na classe uma enorme onda de revolta. Como se já não bastasse a pressão do Ministério da Educação, com as medidas da avaliação de desempenho dos professores, para os irritar, surgem também intrusos como este, tendenciosos, numa estratégia de tensão, lançando achas para a fogueira. Perante tais afirmações, qualquer leitor consciente, as repudia. Autênticas provocações reaccionárias que só podem ser ditas, daquela forma, por alguém irreverente e mal-formado.
Quando escreve, “tenho vergonha destes pseudo-professores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações”, deveria lembrar-se que está a ofender uma classe de gente responsável e não meia dúzia de incompetentes que qualquer grupo profissional suporta. Então, pela forma como escreve, talvez ele seja um pseudo-jornalista, dentro da sua classe, ao comparar os professores que se manifestaram, de forma ordeira, aos “hooligans” do futebol. A forma cínica como os compara aos operários da Lisnave, quando estes se manifestaram, em 1975, é repugnante. Tal comparação, além de irracional, só pode ser dita por alguém de intenções duvidosas e partidárias, ou, então, estar possuído de algo de demoníaco que o impede de analisar os factos de forma isenta, como o obriga a conduta de jornalista.
Valoriza os professores do “sistema” em desprimor dos actuais, dizendo: “lembro-me bem dos meus professores. Não tinham nada que ver com esta gente”. Vê-se mesmo que quem assim fala é um saudosista refinado do “regime” ou então deve ter sido um dos privilegiados, no seu percurso escolar. Assim era a escola de então, só para alguns, como este senhor, não era para todos, como hoje é. Quantos dos seus colegas de escola tão ou mais capacitados do que ele ficaram para trás. Foram condenados ao insucesso e, muitas vezes, por desconhecimento ou negligência do próprio professor. Tenho a certeza que os mesmos alunos de hoje, ensinados com as práticas de então, provocariam um enorme desastre educativo, impossível de controlar. Tenho pena que este senhor não tenha sido um dos muitos disléxicos que foram impedidos, barbaramente, de fazer a sua aprendizagem, só porque davam erros ortográficos ou não construíam bem as frases. Talvez não tivesse chegado tão alto e a sociedade de hoje não estivesse, mentalmente, tão poluída!
Como pode alguém que teve responsabilidade nas maiores escolas de educação paralela, como são os canais de rádio e televisão TSF, SIC e RTP, criticar uma classe que, a todo o custo, tenta combater muitos dos malefícios provocados por alguns destes e outros órgãos de comunicação?
A cegueira de que este homem está possuído, impede-o de olhar para ele próprio e ver todo o lixo que ele produziu, só para ganhar audiências televisivas, enquanto responsável na SIC. Certamente, esse lixo, sim, deve ter contaminado muitos milhares de crianças e jovens que, hoje, frequentam as nossas escolas e têm comportamento indisciplinar.
Portugal não pode continuar a pôr à frente dos órgãos de comunicação gente como esta que não tem respeito pelos outros e, pelo que escreve, de educação pouco sabe. Em todo o seu percurso profissional, de utilidade para a sociedade, pouco mais deve ter feito do que enriquecer-se a ele e a uma boa meia dúzia de empresários.
Artigo publicado no Semanário "A Voz de Trás-os-Montes em 27/03/2008
Wednesday, March 26, 2008
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