Wednesday, December 27, 2006

A vontade de brotar!

Há alguns anos, quem fizesse habitualmente o percurso Vila Real Santa Marta de Penaguião na Estrada Nacional 2, antes da ponte do Sordo no “alto da andorinha”, podia observar uma bonita fonte construída em granito, pela JAE instituição pública que, então, zelava pela conservação das Estradas de Portugal. Quem ali passasse podia matar a sede, refrescar-se com a água que jorrava continuamente para um tanque e levar, ainda, uns cântaros dela para casa. Muitos eram os automobilistas que o faziam. As sobras que vertiam do tanque regavam, ainda, as hortas de dois ou três pequenos agricultores, na parte inferior da estrada. Era um pequeno oásis o que ali existia!
A construção do canal que abastece a mini-hídrica de Parada de Cunhos, na linha de água Sordo/Corgo, fez secar a fonte, retirando, assim, aos proprietários dos terrenos envolventes e a dois moradores locais, uma enorme regalia. Não sabemos se a empresa responsável os indemnizou, devidamente, mas quer parecer-me que, pelo menos os moradores, ainda hoje mantêm uma situação provisória, isto é, estão a ser abastecidos de água, não sei de onde, através de uma mangueira que se encontra, desde essa altura, à superfície, na valeta, ao longo da estrada. Desta forma, provavelmente, têm que beber água calda no Verão; e água gelada no Inverno. Os automobilistas, esses nunca mais puderam apreciar aquela água que da encosta, gratuitamente brotava. Jamais puderam contemplar a paisagem ímpar de socalcos que, dali, os seus olhos avistavam, quando paravam.
Quem viaja, pode ver que outras fontes, noutras paragens, tiveram o mesmo destino ou sorte idêntica. Neste país, não há quem zele por esta pequena riqueza natural, não me refiro, concretamente, aos fontanários, mas sim às suas nascentes que são dádivas da natureza. As empresas que constroem as vias rápidas, as auto-estradas, os túneis são as principais responsáveis, porque destroem as linhas de água. São responsáveis, mas não são responsabilizadas pelo prejuízo causado. Ninguém as obriga a repor a água que desviaram ou a explorar outra. E, no entanto, os ganhos obtidos com ela são, às vezes, escandalosos, como se verificam nas empresas de energia.
No caso a que me refiro, penso que a autarquia de Vila Real também tem sua quota-parte de responsabilidade por não ter acautelado, devidamente, esta situação, nem ter feito nada, para a resolver.
Para os responsáveis, parece ser já um caso perdido, mas para a mãe-Natureza não. Ela não é soberba como eles, é generosa e, de tempos a tempos, a fonte brota. É o que acontece, neste momento. Talvez queira dizer àqueles que criam lucros fáceis, à sua custa, que ainda não morreu.
Quem tiver saudades daquela fonte a jorrar água, pode ir vê-la. Apressem-se, porque não será por muito tempo! Ela agradece!

Wednesday, December 13, 2006

A A.C.R.D. de Arnadelo tenta reanimar!

Com a reorganização da rede escolar imposta recentemente por este governo a população de Arnadelo perdeu a sua escola básica e os seus alunos tiveram de ser transferidos para a Escola de Tuizendes a funcionar no Centro Cultural desta localidade que dista a dois quilómetros aproximadamente.
O Povo de Arnadelo não se conforma com a opção que foi tomada. Questiona porque é que a escola da sua localidade não foi a escolhida para acolhimento dos alunos das três aldeias. Era, sem dúvida, a mais central, a que oferecia melhores condições geográficas, situando-se no centro do povo, com boa exposição solar, e também com as melhores acessibilidades. Por exemplo, nem sequer precisava de rampas. Talvez não tivesse um espaço para servir as refeições às crianças, mas faziam-se obras como as que estão a acontecer na escola de Tuizendes. Se é que “àquilo” se pode chamar escola! Ao mesmo tempo, a autarquia poderia investir o dinheiro naquilo que era seu e que é património de todos nós. Mas outros interesses, provavelmente, prevaleceram!
Uma vez a escola perdida, o povo de Arnadelo não quer perder agora o edifício, porque não vá a autarquia querer engordar os seus cofres com a sua venda. Pelo que parece um dos destinos das escolas desactivadas é esse. Isto é, “para quem der mais”, ou não. E para esta, os interessados já são muitos. Neste sentido, a população quer segurar este edifício e dar-lhe uma nova função, de cariz social e cultural. Por isso pretende que este seja entregue à Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Arnadelo.
É certo que esta Associação tenha estado inactiva há alguns anos, também por falta de uma sede própria, mas neste momento assumiu uma nova responsabilidade, comprometendo-se gerir e dinamizar este novo espaço, se lhe for entregue pelas respectivas autoridades. Com este objectivo, no dia 8 de Dezembro os seus elementos reuniram o povo para lhes dar conta da situação.
Um dos elementos da associação e principal promotor da ideia falou ao povo presente, dizendo que estava na hora de arrancar, que os corpos gerentes iriam ser refrescados com novos elementos, que iriam rever os estatutos, que iriam elaborar um plano de actividades para desenvolver em 2007 e propor à autarquia um protocolo de cedência do edifício. O Povo aplaudiu a iniciativa, fazendo votos para que tudo se concretize.
Esperemos que desta vez, a Junta de Freguesia esteja ao lado do Povo de Arnadelo!

Sunday, May 14, 2006

Pais distraídos ou negligentes?

Na semana passada, quando passava junto de uma das escolas particulares da nossa cidade deparei com uma situação em tudo idêntica a muitas outras que hoje acontecem com certa vulgaridade na nossa comunidade. Uma criança do sexo masculino, que aparentava ter cinco ou seis anos, sai pelo portão principal do estabelecimento de ensino, agarrada pela mão de sua mãe, presumivelmente, que assim tentava acalmá-la de alguma euforia. Já na parte exterior, de forma inesperada, o miúdo lança uma cuspidela através das grades, para a cara de um seu colega o qual num gesto rápido se apressa a limpá-la. No momento em que tudo isto acontece, só se houve a mãe da criança a dizer, simplesmente, “Isso não se faz!”, e seguiram o seu caminho.
Não sabemos ao certo o que deve ter levado esta criança a cometer um gesto tão insurrecto. Provavelmente será a resposta, a alguma picardia cometida anteriormente pela vítima neste caso, pois sabemos como as crianças se comportam todos os dias nas suas brincadeiras. A picardia é a forma de relação mais usada por elas, nos dias de hoje.
Não quero aqui julgar o comportamento da criança, porque nesta idade ela age ainda de forma impulsiva e nem sempre toma consciência real dos seus actos. Não posso avaliar, no entanto, da mesma forma a atitude da mãe face ao comportamento do filho. Não vou dizer o que ela deveria ter feito, só sei que não devia ter-se ficado por uma ligeira repreensão. Se fosse há duas dezenas de anos atrás, qualquer mãe lhe daria um bom par de estalos. Como agiria cada um de nós nesta situação? Que medida correctiva aplicaríamos no momento?
É fácil, nos dias de hoje, encontrar situações semelhantes, crianças cometendo barbaridades à frente dos seus pais, sem que nada lhes aconteça. Será que os pais de hoje são menos exigentes, mais permissivos ou apenas mais distraídos com os seus filhos? Aquilo que me parece, francamente é que eles são mais negligentes, isto é, não se preocupam com as suas atitudes nem com o prejuízo que eles possam causar a terceiros. É, por exemplo, comum encontrar uma criança a mexer em determinados objectos, que se encontram num estabelecimento ou em casa de um amigo, sem qualquer observação atenta dos pais e, quando algo acontece nem sequer se dispõem a pagar os prejuízos.
Sempre ouvi dizer que “de pequenino se torce o pepino”. Em tempos, este provérbio era levado muito a sério pelos nossos pais e quando algum de nós cometia uma asneira, ou desrespeitava as normas, lá estavam eles a dar-nos aquela dose de correcção, condimentada com algumas palmadas no rabo. O facto é que a receita aplicada, na hora, resultava eficazmente. Naquela altura, por exemplo, não se ouvia um miúdo a chamar “estúpido” ao pai, de forma consentida, como acontece hoje. Os próprios pais dizem: “Lá em casa quem manda é o miúdo!” e querem saber que, às vezes, é mesmo verdade!
Como pudemos assim, preparar as crianças de hoje, para serem os homens de amanhã? Como pudemos hoje, desta forma, ensiná-los a viver numa sociedade que se pretende ser séria, respeitadora da liberdade dos outros?
Vítor Olo

Saturday, May 06, 2006

25 de Abril no “país das bananas”!

Recentemente, comemorou-se o 32º Aniversário da Revolução de Abril e, como sempre foi a cidade de Lisboa a liderar as manifestações. O Povo saiu à rua e reviveu, por momentos e com emoção, o 25 de Abril de 1974. Pela Avenida da Liberdade ouviam-se as palavras de ordem habituais, “Liberdade, sim… fascismo, nunca mais”.
Nas pequenas cidades, o 25 de Abril já não se comemora de forma festiva, nem sequer se realizam quaisquer cerimónias. Os governantes locais até parece que estão comprometidos com o 24 de Abril, têm uma espécie de preconceito que os inibe de tomar quaisquer iniciativas relacionadas com o maior acontecimento de todos os tempos no nosso país. E para não quebrar a tradição, lá esteve mais uma vez Alberto João Jardim, com as suas bocas reaccionárias a marcar posição, como sempre pela negativa, nas fileiras da prepotência e do autoritarismo.
Como pode um responsável de um governo regional assumir de forma descarada, tal postura? Só mesmo no “país das bananas”! Mas, pelo que podemos ir observando, há regiões no continente que também “parecem estar a chegar à Madeira”, por comportamentos idênticos de seus responsáveis políticos, embora mais discretos. Até o nosso Presidente da República se esquivou a colocar na lapela o tradicional cravo vermelho! Não era obrigado, claro, mas pelo menos, o “solitário” ficaria mais composto. Talvez seja alérgico ao seu perfume! Ou então, não simpatize mesmo com este dia!
Porém, estes gestos espelham bem a verdadeira virtualidade do 25 de Abril, que muitos portugueses e jovens em geral, se alheiam a valorizar, negando o próprio acontecimento, como o princípio da Liberdade.
Ainda bem que cada um vai podendo ser como é…por enquanto!

O Futuro Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente

Isto vai meus amigos isto vai o que é preciso é ter sempre presente que o presente é um tempo que se vai e o futuro é o tempo resistente

Depois da tempestade há a bonança que é verde como a cor que tem a esperança quando a água de ABRIL sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança se fizermos de MAIO a nossa lança Isto vai meus amigos isto vai.
Ary dos Santos
Vitor Olo

Thursday, April 27, 2006

Um veículo à medida da cidade!

Há duas semanas, começou a fazer parte da vida dos vila-realenses uma nova “figura articulada”. Diariamente, percorre as principais vias, mostra aos turistas a fantástica cidade que temos, entretém os idosos e leva as crianças a sonhar no mundo encantado, que de outra forma, para algumas, seria impossível vivê-lo, a “Disneilândia”. Bem pensado! Como Maomé não vai à montanha vem a Montanha a Maomé! Os nossos responsáveis políticos pensam em tudo, nos turistas, nos “velhinhos” e nas criancinhas, por isso resolveram licenciar esta “figura”.
Também só faltava cá um veículo “encantador” como este, porque, ruas estreitas, palácios degradados, pontes em ruína, castelos subterrados, torres de betão, príncipes das festas, fadas boas, fadas más e animais da floresta que falam, falam…já cá tínhamos muitos. Agora sim, “Vilarealdisney”!
Para além do que esta ideia possa parecer, acima de tudo, ela resolve vários problemas: faz esquecer definitivamente o teleférico, porque um dia, alguém quis transformar o Monte da Forca em Alto dos Pirinéus; resolve o problema do trânsito, torna-o “mais fluente” e distrai os agentes da PSP que andam muito entretidos a caçar multas nos parquímetros; leva-nos a ver o progresso da cidade de uma forma diferente, p’ra melhor como convém, porque através daquelas vidraças, o sentido estético melhora nas pessoas que nele viajam. Até permite ver obras do “Polis” que ainda estão no papel!
A ideia parece mesmo interessante! Só não a acho muito original. Até me dá impressão que já vi algo igual noutro lado… É verdade, e aqui bem perto. Também não podemos ser sempre os primeiros em tudo! Mas, agora que estamos na era do “copy e cola”, até cola!
De facto, é pena que alguém não tenha pensado numa ideia mais inovadora, até porque a nossa cidade tem uma tradição e um historial interessantes no desporto automóvel e daí, com a ajuda da UTAD, poder-se-ia criar algo diferente. Preferiria ver circular nas nossas ruas, um veículo futurista de passageiros em vez de um “trem” que nem é carro nem comboio. Pelo menos, era sinal que estaríamos mais avançados. Mesmo com a universidade à porta, esta cidade “não sai da cepa torta”!
Para vos falar verdade, acho que até os mirandeses tiveram melhor ideia. Transformaram os seus burros, raça em extinção, em autênticos “táxis” para levar os turistas a passear. Ao preço que está a gasolina não podiam ter feito melhor investimento e, pelo que parece, ainda recebem subsídio da CEE.
Veículos assim, para Vila Real, seria o ideal, pelo menos, não perturbavam o trânsito, iam onde os carros não podem ir e, como alguns dizem, “era uma forma diferente de ver a cidade”. Porque é que aqui, ninguém se lembrou de tal coisa?!

Vítor Olo

Editorial

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