Há alguns anos, quem fizesse habitualmente o percurso Vila Real Santa Marta de Penaguião na Estrada Nacional 2, antes da ponte do Sordo no “alto da andorinha”, podia observar uma bonita fonte construída em granito, pela JAE instituição pública que, então, zelava pela conservação das Estradas de Portugal. Quem ali passasse podia matar a sede, refrescar-se com a água que jorrava continuamente para um tanque e levar, ainda, uns cântaros dela para casa. Muitos eram os automobilistas que o faziam. As sobras que vertiam do tanque regavam, ainda, as hortas de dois ou três pequenos agricultores, na parte inferior da estrada. Era um pequeno oásis o que ali existia!A construção do canal que abastece a mini-hídrica de Parada de Cunhos, na linha de água Sordo/Corgo, fez secar a fonte, retirando, assim, aos proprietários dos terrenos envolventes e a dois moradores locais, uma enorme regalia. Não sabemos se a empresa responsável os indemnizou, devidamente, mas quer parecer-me que, pelo menos os moradores, ainda hoje mantêm uma situação provisória, isto é, estão a ser abastecidos de água, não sei de onde, através de uma mangueira que se encontra, desde essa altura, à superfície, na valeta, ao longo da estrada. Desta forma, provavelmente, têm que beber água calda no Verão; e água gelada no Inverno. Os automobilistas, esses nunca mais puderam apreciar aquela água que da encosta, gratuitamente brotava. Jamais puderam contemplar a paisagem ímpar de socalcos que, dali, os seus olhos avistavam, quando paravam.
Quem viaja, pode ver que outras fontes, noutras paragens, tiveram o mesmo destino ou sorte idêntica. Neste país, não há quem zele por esta pequena riqueza natural, não me refiro, concretamente, aos fontanários, mas sim às suas nascentes que são dádivas da natureza. As empresas que constroem as vias rápidas, as auto-estradas, os túneis são as principais responsáveis, porque destroem as linhas de água. São responsáveis, mas não são responsabilizadas pelo prejuízo causado. Ninguém as obriga a repor a água que desviaram ou a explorar outra. E, no entanto, os ganhos obtidos com ela são, às vezes, escandalosos, como se verificam nas empresas de energia.
No caso a que me refiro, penso que a autarquia de Vila Real também tem sua quota-parte de responsabilidade por não ter acautelado, devidamente, esta situação, nem ter feito nada, para a resolver.
Para os responsáveis, parece ser já um caso perdido, mas para a mãe-Natureza não. Ela não é soberba como eles, é generosa e, de tempos a tempos, a fonte brota. É o que acontece, neste momento. Talvez queira dizer àqueles que criam lucros fáceis, à sua custa, que ainda não morreu.
Quem tiver saudades daquela fonte a jorrar água, pode ir vê-la. Apressem-se, porque não será por muito tempo! Ela agradece!
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