No dia nove de Outubro, desloquei-me aos serviços administrativos da UTAD para requerer um certificado de matrícula que é obrigatório entregar, todos os anos, à entidade empregadora durante o mês de Outubro, para não perder os direitos à assistência médica e ao subsídio familiar do meu descendente, enquanto estudante.
Logo que cheguei, deparei com uma fila de estudantes que aguardavam a sua vez para tratar variadíssimos assuntos. Tomei o meu lugar e mantive-me na fila durante um quarto de hora, aproximadamente. Ao fim desse tempo, um estudante que estava na fila, orientou-me para outra repartição dos mesmos serviços, ali próximo, onde poderia requerer o certificado de matrícula. Fui para lá, aproximei-me do “guichet”, pedi informação à funcionária que, prontamente, me despachou para o local de onde nunca deveria ter saído. Voltei e, como seria de esperar, encontrei a fila maior do que a tinha deixado. Tomei outra vez posição e passado algum tempo, como a fila não se mexia, perdi a paciência e dirigi-me ao balcão, dizendo o que pretendia. De imediato, a funcionária entregou-me um formulário e disse-me para o preencher e voltar para a fila. Como o objectivo era apenas requerer o documento, perguntei se não haveria outra forma de o fazer, pensando por exemplo numa caixa de correio onde pudesse meter um envelope com o impresso devidamente preenchido ou então, via internet. Mas foi-me dito que não. Agradeci a informação, olhei uma vez mais para a fila, contei por alto umas trinta pessoas e, sem mais, fui para casa preencher o impresso, pensando voltar num dia com mais sorte.
Teria sido um pouco arriscado tentar resolver o problema naquela altura, porque não tinha a certeza de poder ser atendido até à hora do fecho e, pelo despacho que as funcionárias demonstravam, era provável que, mesmo alguns dos que estavam à minha frente, ficassem para o dia seguinte. Estava de crer que assim fosse. Vendo bem o panorama, encontravam-se três funcionárias ao serviço, naquele momento, mas apenas duas estavam a prestar atendimento ao público. Dessas duas, uma delas ainda perdia algum tempo a pavonear-se. Também faz falta gente assim! Pelo menos, dá algum “décor” à situação e distrai os resignados.
Quando me dirigia para o carro, em conversa com alguém, ainda pude constatar que, afinal, não há mesmo dias de sorte. Nestes serviços, além de um horário de atendimento, já de si reduzido, os dias são todos de azar. Isto é, sempre que alguém necessita de tratar de algum assunto, apanha com fila e, às vezes, com alguma arrogância. Nem os dias de praxes se salvam!
De facto, veio-me à lembrança que, já há um ano ou dois, me tinha acontecido, o mesmo. Por isso, esta forma de atendimento já se arrasta há muitos anos.
Será que já não está na hora de mudar? Mas, afinal, não estamos a falar dos serviços administrativos de uma Universidade que parece querer pautar-se pela inovação e uso das novas tecnologias? Parece que, afinal, é só teoria! Então, já é possível constituir uma empresa em 48 horas e a UTAD não é capaz de implementar um programa que permita aos alunos solicitar, via internet, um simples certificado de matrícula e aos serviços administrativos responder de igual modo? Pelos vistos, os serviços só são retrógrados no processamento dos documentos, porque, no que toca ao pagamento, já são demasiado avançados. Por incrível que pareça, não aceitam dinheiro vivo, apenas cartão multibanco. Como é possível? E, já agora, onde está a “dita cuja” secretaria virtual?
Uma vez, recentemente, nomeado o Vice-Reitor para o Departamento de Assuntos Académicos, deixo aqui a questão para que ele mesmo possa responder. Mas, esperemos que o faça com mais rapidez do que algumas das suas funcionárias administrativas a atender o público.
Artigo publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 23/10/2008
Sunday, January 25, 2009
A caridade compensa!
A pretexto da “crise” algumas Câmaras, como a de Vila Real, implementam projectos de ajuda às famílias “carenciadas” com acções que são próprias de Instituições de Caridade. No meu entendimento, é incorrecto um município envolver-se em acções como aquela que têm sido divulgada, recentemente, nalguma imprensa regional de Vila Real, intitulada de “Câmara Amiga”.
Compreendo que, para além da sua competência político-administrativa, a autarquia possa também desempenhar um importante papel social e económico, mas não entendo como é possível uma Câmara estar tão disponível para dinamizar acções deste género, quando deveria estar centrada em outras áreas de competência que lhe dizem mais respeito. Também não me parece muito bem a ligação com as empresas, para a angariação de bens alimentares e outros, que mais tarde distribuirá a alguns munícipes. A distribuição de bens às famílias da forma como está a ser feita faz lembrar o “saquinho da propaganda política” recheado de produtos alimentares oferecido por alguns partidos nas vésperas de eleições com um só intuito, de conquistar eleitores e, certamente, votos. Estas acções só favorecem a promiscuidade de competências e aproveitamentos políticos. Perante tal realidade, quer parecer-me que a campanha para as autárquicas já começou.
Compreendo que possam existir algumas famílias carenciadas no nosso concelho e que, face à crise, estejam a necessitar de ajuda, mas não me parece bem ser o município a fazer o trabalho de campo, de forma tão descarada. A Câmara deverá deixar este tipo de acções para as instituições de caridade ou outras organizações de solidariedade social que, essas sim estarão vocacionadas para tal. Além disso, nem sempre a ajuda é dada a quem mais precisa. Há anos, alguns presidentes de Juntas de freguesia deste concelho mandaram distribuir produtos alimentares e insistiam para que todas as pessoas idosas aceitassem a dádiva, independentemente de ter ou não necessidade. Neste momento, são muitas as pessoas a querer comparticipar nas campanhas do Banco Alimentar Contra a Fome ou através de outros projectos de solidariedade social, mas todas querem ter a certeza que a sua oferta chega ao destinatário certo. E, nem sempre acontece.
Critica-se José Sócrates de correr o país a fazer propaganda política, oferecendo o “Magalhães”, que considero de alguma importância, mas as Câmaras fazem o mesmo, oferecendo, desnecessariamente, aos alunos “mochilas” no início do ano lectivo e pagando almoços aos “ velhinhos” e aos professores no final do ano. Como pode assim, uma instituição destas pôr-se a pedir esmola à porta das empresas e às pessoas em particular, para a seguir distribuí-la às famílias de poucos recursos, ou não, e depois esbanjar centenas ou milhares de euros em bugigangas e almoços de confraternização.
Em vez de andar a “dar a sopa aos pobres” que não é a sua principal competência, o Município deveria preocupar-se com outras medidas: implementar projectos urbanísticos sérios, com rigor orçamental, que criem progresso e desenvolvimento regional, impedindo, que muitos jovens e bons profissionais emigrem para outras paragens, em busca de melhores condições de vida; acabar definitivamente com as tarifas de disponibilidade de abastecimento de água, saneamento, lixo e outros impostos que continuam a ser, abusivamente, cobradas pelas empresas municipais, a todos os consumidores, independentemente de serem ou não carenciados. Estas deveriam ser as práticas político-administrativas de uma verdadeira “Câmara Amiga”.
As Câmaras não são Segurança Social nem Instituições de solidariedade social!
Publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 22/01/2009
Compreendo que, para além da sua competência político-administrativa, a autarquia possa também desempenhar um importante papel social e económico, mas não entendo como é possível uma Câmara estar tão disponível para dinamizar acções deste género, quando deveria estar centrada em outras áreas de competência que lhe dizem mais respeito. Também não me parece muito bem a ligação com as empresas, para a angariação de bens alimentares e outros, que mais tarde distribuirá a alguns munícipes. A distribuição de bens às famílias da forma como está a ser feita faz lembrar o “saquinho da propaganda política” recheado de produtos alimentares oferecido por alguns partidos nas vésperas de eleições com um só intuito, de conquistar eleitores e, certamente, votos. Estas acções só favorecem a promiscuidade de competências e aproveitamentos políticos. Perante tal realidade, quer parecer-me que a campanha para as autárquicas já começou.
Compreendo que possam existir algumas famílias carenciadas no nosso concelho e que, face à crise, estejam a necessitar de ajuda, mas não me parece bem ser o município a fazer o trabalho de campo, de forma tão descarada. A Câmara deverá deixar este tipo de acções para as instituições de caridade ou outras organizações de solidariedade social que, essas sim estarão vocacionadas para tal. Além disso, nem sempre a ajuda é dada a quem mais precisa. Há anos, alguns presidentes de Juntas de freguesia deste concelho mandaram distribuir produtos alimentares e insistiam para que todas as pessoas idosas aceitassem a dádiva, independentemente de ter ou não necessidade. Neste momento, são muitas as pessoas a querer comparticipar nas campanhas do Banco Alimentar Contra a Fome ou através de outros projectos de solidariedade social, mas todas querem ter a certeza que a sua oferta chega ao destinatário certo. E, nem sempre acontece.
Critica-se José Sócrates de correr o país a fazer propaganda política, oferecendo o “Magalhães”, que considero de alguma importância, mas as Câmaras fazem o mesmo, oferecendo, desnecessariamente, aos alunos “mochilas” no início do ano lectivo e pagando almoços aos “ velhinhos” e aos professores no final do ano. Como pode assim, uma instituição destas pôr-se a pedir esmola à porta das empresas e às pessoas em particular, para a seguir distribuí-la às famílias de poucos recursos, ou não, e depois esbanjar centenas ou milhares de euros em bugigangas e almoços de confraternização.
Em vez de andar a “dar a sopa aos pobres” que não é a sua principal competência, o Município deveria preocupar-se com outras medidas: implementar projectos urbanísticos sérios, com rigor orçamental, que criem progresso e desenvolvimento regional, impedindo, que muitos jovens e bons profissionais emigrem para outras paragens, em busca de melhores condições de vida; acabar definitivamente com as tarifas de disponibilidade de abastecimento de água, saneamento, lixo e outros impostos que continuam a ser, abusivamente, cobradas pelas empresas municipais, a todos os consumidores, independentemente de serem ou não carenciados. Estas deveriam ser as práticas político-administrativas de uma verdadeira “Câmara Amiga”.
As Câmaras não são Segurança Social nem Instituições de solidariedade social!
Publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 22/01/2009
Feira do Levante, um espaço cheio de vantagens!
Há pouco tempo, foi inaugurada a Feira do Levante em Vila Real e já sobram os problemas para quem circula nas suas proximidades. Estava de prever que tal acontecesse! Quem projecta um espaço comercial assim, num local como aquele, não pode ter bom senso nem sensibilidade com a natureza.
Em primeiro de tudo, está construído na margem de um pequeno curso de água, espaço ecológico, que deveria merecer mais respeito. Já se está mesmo a ver, os sacos plásticos, no fim de cada feira, a voarem por todo o lado!
Sabendo que este tipo de feiras atraem sempre muita gente e com ela muito trânsito seria impensável situar tal complexo nas proximidades de um hospital, sem todas as infra-estruturas asseguradas. Sabíamos que, após o seu funcionamento, traria transtorno em termos de acessibilidades. Podemos mesmo considerar um erro em cima de outro, neste caso um erro debaixo de outro: primeiro, a bomba de gasolina que afugentou os moradores locais, agora a feira debaixo da bomba. Só esperemos que não rebente! Então aí, só se salvam os que saltarem para a ribeira.
Há dias, dirigia-me para o Hospital a fim de visitar um amigo pessoal, quando esbarrei com muito trânsito na rotunda que dá acesso a Lordelo e à IP4 em direcção a Bragança. Ao ver uma ambulância no local, deduzi, logicamente, que seria um acidente. Mas em breve me certifiquei que se tratava apenas de afluxo de tráfego em direcção à feira. Prosseguindo, em marcha muito lenta, num percurso de alguns trezentos metros, entre esta rotunda e a que se situa em frente ao Hospital demorei quinze minutos. Enquanto conduzia, pude ver pessoas trepando as rotundas, carros fazendo inversão de marcha sobre a linha contínua e outros transeuntes que se movimentavam na via, atravessando-a apressadamente, fora das passadeiras. Os parques de estacionamento, que por ali existiam, pareciam estar esgotados, porque alguns condutores estacionavam já em cima dos passeios. As únicas duas faixas da via estavam de tal forma congestionadas, que dificilmente sobraria espaço para uma ambulância circular em situação de emergência.
Uma hora depois, Já de regresso a casa, ainda no parque interior do hospital, pude ver uma senhora, com um jogo de tapetes nos braços, dirigindo-se para o seu automóvel. Pensando bem, das duas, uma: ou a senhora foi visitar um familiar e depois foi à feira ou então, foi à feira e aproveitou para visitar um familiar ou amigo.
Além das vantagens, “dois em um”, comercial e lazer, já anunciadas pelos seus criadores, quando da divulgação deste “importante” espaço, acrescento esta, que talvez, lhes tenha escapado, ou não. Mas, que dá muito jeito, lá isso dá.
Publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 01/01/2009
Em primeiro de tudo, está construído na margem de um pequeno curso de água, espaço ecológico, que deveria merecer mais respeito. Já se está mesmo a ver, os sacos plásticos, no fim de cada feira, a voarem por todo o lado!
Sabendo que este tipo de feiras atraem sempre muita gente e com ela muito trânsito seria impensável situar tal complexo nas proximidades de um hospital, sem todas as infra-estruturas asseguradas. Sabíamos que, após o seu funcionamento, traria transtorno em termos de acessibilidades. Podemos mesmo considerar um erro em cima de outro, neste caso um erro debaixo de outro: primeiro, a bomba de gasolina que afugentou os moradores locais, agora a feira debaixo da bomba. Só esperemos que não rebente! Então aí, só se salvam os que saltarem para a ribeira.
Há dias, dirigia-me para o Hospital a fim de visitar um amigo pessoal, quando esbarrei com muito trânsito na rotunda que dá acesso a Lordelo e à IP4 em direcção a Bragança. Ao ver uma ambulância no local, deduzi, logicamente, que seria um acidente. Mas em breve me certifiquei que se tratava apenas de afluxo de tráfego em direcção à feira. Prosseguindo, em marcha muito lenta, num percurso de alguns trezentos metros, entre esta rotunda e a que se situa em frente ao Hospital demorei quinze minutos. Enquanto conduzia, pude ver pessoas trepando as rotundas, carros fazendo inversão de marcha sobre a linha contínua e outros transeuntes que se movimentavam na via, atravessando-a apressadamente, fora das passadeiras. Os parques de estacionamento, que por ali existiam, pareciam estar esgotados, porque alguns condutores estacionavam já em cima dos passeios. As únicas duas faixas da via estavam de tal forma congestionadas, que dificilmente sobraria espaço para uma ambulância circular em situação de emergência.
Uma hora depois, Já de regresso a casa, ainda no parque interior do hospital, pude ver uma senhora, com um jogo de tapetes nos braços, dirigindo-se para o seu automóvel. Pensando bem, das duas, uma: ou a senhora foi visitar um familiar e depois foi à feira ou então, foi à feira e aproveitou para visitar um familiar ou amigo.
Além das vantagens, “dois em um”, comercial e lazer, já anunciadas pelos seus criadores, quando da divulgação deste “importante” espaço, acrescento esta, que talvez, lhes tenha escapado, ou não. Mas, que dá muito jeito, lá isso dá.
Publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 01/01/2009
“Pagamos e não bufamos”
Chegou-me às mãos, recentemente, uma factura de consumo de água, emitida pela EMAR, referente ao mês de Agosto, na importância de 146,99 euros. O seu valor excessivo não me surpreendeu, porque já me habituei a pagar a água que não gasto.
Quando digo que não gasto, é inteiramente verdade, porque apenas 50% desse valor é de água, os outros 50% são referentes a tarifas, como se pode verificar em qualquer documento de facturação de água. A factura da EMAR é uma autêntica mentira! Na vida, normalmente, todos nos deixamos enganar uma ou duas vezes, por um burlão engenhoso e, sempre que isso acontece, fazemos queixa à polícia. Nesta situação, somos enganados todos os meses e não nos queixamos a ninguém. “Pagamos e não bufamos”, como se diz na gíria.
A fórmula de cálculo encontrada para o pagamento das tarifas de lixo e esgotos é injusta e inaceitável, porque não apresenta uma correspondência directa entre o consumo de água e a produção de lixo e saneamento. Isto é, os consumidores podem produzir o lixo que entender que não pago mais por isso, desde que não gastem água. Por exemplo, podem ir à WC as vezes que quiserem, que o “serviço” não se reflectirá na factura. Desde que não descarreguem o autoclismo, claro! O cálculo está mesmo ao jeito dos sucateiros e albardeiros, porque só fazem lixo e não gastam água.
Na factura, estão discriminadas com o seu respectivo valor, “três disponibilidades”, uma referente a água, outra a esgotos e uma outra a lixo. Parece “algo suspeito”, mal declarado. Uma invencionice para cobrar mais uns cobres aos consumidores! Será? Provavelmente, um serviço que não existe! Pode existir no abstracto, mas então, que o explique concretamente, porque a discriminação não é suficiente. Assim, mais valia continuar a cobrar o aluguer do contador. Pelo menos, a arma do crime era visível.
A Lei 12/2008, no nº 2 do artigo 8º nas alíneas a), b), c) e d), proíbe a cobrança de qualquer tarifa que se assemelhe às, actualmente, impostas pela EMAR. Na interpretação da Lei, as taxas de disponibilidade têm de corresponder a um serviço fornecido ou a investimentos demonstráveis, o que não se verifica. Esta prática continuada é uma enorme ilegalidade.
O número 2 do artigo 9º da mesma Lei diz que “A factura a que se refere o número anterior deve ter uma periodicidade mensal, devendo discriminar os serviços prestados e as correspondentes tarifas”. Portanto, a EMAR e outras empresas congéneres estão obrigadas a emitir facturas mensais aos consumidores, de forma, a que estes possam controlar melhor os seus gastos. No entanto, esta empresa continua a incluir na factura de um mês o consumo de dois. Conforme consta no documento que referi inicialmente, as leituras reportam-se ao período de 2008/06/03 a 2008/08/04. É como champô, “dois em um”, sempre é mais económico!
Num momento em que tanto se fala em economizar água, porque ela é um bem essencial cada vez mais escasso, o consumo excessivo efectuado por alguns consumidores, nos meses de Verão, poderá estar inteiramente justificado. Muitas vezes, trata-se de fazer vingar um pequeno jardim que existe à frente de suas casas. Ao fazê-lo, voluntariamente, também estão a colaborar com os Serviços Municipalizados, nas tarefas de arranjo urbanístico e conservação de espaços verdes.
Na rua onde moro há 20 anos, nunca foi plantada uma única árvore nos passeios. As que existem foram plantadas pelos moradores, nos seus próprios espaços. Por isso, em vez do pagamento das “tarifas de disponibilidades”, estes, até deveriam ter uma redução de preço na água. Não acham?
Publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 30/10/2008
Quando digo que não gasto, é inteiramente verdade, porque apenas 50% desse valor é de água, os outros 50% são referentes a tarifas, como se pode verificar em qualquer documento de facturação de água. A factura da EMAR é uma autêntica mentira! Na vida, normalmente, todos nos deixamos enganar uma ou duas vezes, por um burlão engenhoso e, sempre que isso acontece, fazemos queixa à polícia. Nesta situação, somos enganados todos os meses e não nos queixamos a ninguém. “Pagamos e não bufamos”, como se diz na gíria.
A fórmula de cálculo encontrada para o pagamento das tarifas de lixo e esgotos é injusta e inaceitável, porque não apresenta uma correspondência directa entre o consumo de água e a produção de lixo e saneamento. Isto é, os consumidores podem produzir o lixo que entender que não pago mais por isso, desde que não gastem água. Por exemplo, podem ir à WC as vezes que quiserem, que o “serviço” não se reflectirá na factura. Desde que não descarreguem o autoclismo, claro! O cálculo está mesmo ao jeito dos sucateiros e albardeiros, porque só fazem lixo e não gastam água.
Na factura, estão discriminadas com o seu respectivo valor, “três disponibilidades”, uma referente a água, outra a esgotos e uma outra a lixo. Parece “algo suspeito”, mal declarado. Uma invencionice para cobrar mais uns cobres aos consumidores! Será? Provavelmente, um serviço que não existe! Pode existir no abstracto, mas então, que o explique concretamente, porque a discriminação não é suficiente. Assim, mais valia continuar a cobrar o aluguer do contador. Pelo menos, a arma do crime era visível.
A Lei 12/2008, no nº 2 do artigo 8º nas alíneas a), b), c) e d), proíbe a cobrança de qualquer tarifa que se assemelhe às, actualmente, impostas pela EMAR. Na interpretação da Lei, as taxas de disponibilidade têm de corresponder a um serviço fornecido ou a investimentos demonstráveis, o que não se verifica. Esta prática continuada é uma enorme ilegalidade.
O número 2 do artigo 9º da mesma Lei diz que “A factura a que se refere o número anterior deve ter uma periodicidade mensal, devendo discriminar os serviços prestados e as correspondentes tarifas”. Portanto, a EMAR e outras empresas congéneres estão obrigadas a emitir facturas mensais aos consumidores, de forma, a que estes possam controlar melhor os seus gastos. No entanto, esta empresa continua a incluir na factura de um mês o consumo de dois. Conforme consta no documento que referi inicialmente, as leituras reportam-se ao período de 2008/06/03 a 2008/08/04. É como champô, “dois em um”, sempre é mais económico!
Num momento em que tanto se fala em economizar água, porque ela é um bem essencial cada vez mais escasso, o consumo excessivo efectuado por alguns consumidores, nos meses de Verão, poderá estar inteiramente justificado. Muitas vezes, trata-se de fazer vingar um pequeno jardim que existe à frente de suas casas. Ao fazê-lo, voluntariamente, também estão a colaborar com os Serviços Municipalizados, nas tarefas de arranjo urbanístico e conservação de espaços verdes.
Na rua onde moro há 20 anos, nunca foi plantada uma única árvore nos passeios. As que existem foram plantadas pelos moradores, nos seus próprios espaços. Por isso, em vez do pagamento das “tarifas de disponibilidades”, estes, até deveriam ter uma redução de preço na água. Não acham?
Publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 30/10/2008
Thursday, September 11, 2008
“Fumam-se provisórios, enquanto não há definitivos”
Aos moradores de Almodena, Fonte Nova e ruas circundantes, da freguesia de S. Dinis, em Vila Real, de nada lhes tem valido contrariar o voto PSD nas Autárquicas, votando PS. Até parece que estão a ser penalizados por isso.
Em termos de construção e arranjos urbanísticos, nada se tem feito, ultimamente. Permanecem de pé as aberrações dos prédios de Almodena, construídos ainda no tempo em que a Junta de Freguesia era PSD e mantêm-se, há mais de vinte anos, com aparência clandestina, as urbanizações Bairro Novo da Fonte Nova e Quinta das Botelhas.
É uma vergonha!
Os construtores não cumpriram o seu caderno de encargos, a Câmara não lhes fez exigências e as obras não foram concluídas. Depois deste tempo todo, as ruas assumem um aspecto degradante. O piso “está no osso”, os passeios não existem e o mato toma o seu lugar. De vez em quando, à procura de uns ramos verdes, passeiam, por lá, a toque de assobio e cajado, uns animais de quatro patas que largam, além da sua “fragrância”, algo parecido com azeitonas miúdas. Os candeeiros não foram, sequer, pensados. E a iluminação que existe, às vezes, é de “pisca-pisca”. Na urbanização Bairro Novo da Fonte Nova, pelo que dizem os moradores e segundo fontes da Junta de Freguesia, as baixadas eléctricas ainda são provisórias: “Fumam-se provisórios, enquanto não há definitivos”1.
A Câmara limitou-se, apenas, a dar o nome às ruas destas urbanizações, não avisou os moradores nem teve, sequer, respeito, pelos seus titulares, porque não as arranjou como devia para o dia do baptismo, nem lhes colocou as placas que mereciam. Mas, pelo que pude apurar, essas placas já existem, há muito tempo, só que nunca foram colocadas. Provavelmente, esqueceram- -se delas!
Em 21 de Junho de 2006, o Jornal “Notícias de Vila Real” avançou com a notícia “Almodena finalmente com placas toponímicas”, na qual a garantia da sua aquisição e respectiva colocação era dada por Nazaré Pereira, Vereador da Câmara Municipal, pelas suas palavras transcritas: “as placas estão todas encomendadas e começarão a ser colocadas logo que cheguem”, o que deverá acontecer durante o mês de Junho, como concluiu o referido jornal. A notícia referia, ainda, que a autarquia tinha investido 20 mil euros em cerca de 170 placas. Por isso, elas devem estar por aí, algures.
Graças ao voto de confiança dos eleitores naqueles que a têm representado, a freguesia de S. Dinis, de governação socialista, tem conseguido resistir ao poder social democrático que predomina neste concelho, desde que há eleições livres, em Portugal, com fortes prejuízos, para ela e seus residentes, em termos de desenvolvimento e investimento. Mas, Almodena é e sempre será o “parente pobre” das zonas da cidade. Contrariamente ao que deveria ter acontecido, a cidade desenvolveu-se e expandiu--se mais para nascente, com enormes prejuízos para a agricultura, destruindo propriedades e quintas de grande riqueza agrícola e em desfavor da parte poente. Provavelmente, os interesses e a especulação imobiliária falaram mais alto.
Se os Paços do Concelho e parte do centro histórico da cidade de Vila Real não se situassem nesta freguesia, a mesma já estaria dada ao esquecimento, definitivamente.
Só por isso se vai mantendo, provisoriamente...
1 Nota explicativa: (para os jovens leitores)
Em tempos, existiam duas marcas de tabaco económico sem filtro que eram concorrentes, mas semelhantes na forma da embalagem, na qualidade e no preço. Cada uma delas tinha os seus apreciadores. Sempre que os cigarros da marca “definitivos” se esgotavam na loja, os seus apreciadores optavam pela marca “provisórios” e, então, solicitavam-nos dizendo: “fumam-se provisórios enquanto não há definitivos”. E, assim, esta expressão passou a valer para tudo o que está por concluir.
Artigo Publicado no Semanário a Voz de Trás-os-Montes em 11 de Setembro de 2008
Em termos de construção e arranjos urbanísticos, nada se tem feito, ultimamente. Permanecem de pé as aberrações dos prédios de Almodena, construídos ainda no tempo em que a Junta de Freguesia era PSD e mantêm-se, há mais de vinte anos, com aparência clandestina, as urbanizações Bairro Novo da Fonte Nova e Quinta das Botelhas.
É uma vergonha!
Os construtores não cumpriram o seu caderno de encargos, a Câmara não lhes fez exigências e as obras não foram concluídas. Depois deste tempo todo, as ruas assumem um aspecto degradante. O piso “está no osso”, os passeios não existem e o mato toma o seu lugar. De vez em quando, à procura de uns ramos verdes, passeiam, por lá, a toque de assobio e cajado, uns animais de quatro patas que largam, além da sua “fragrância”, algo parecido com azeitonas miúdas. Os candeeiros não foram, sequer, pensados. E a iluminação que existe, às vezes, é de “pisca-pisca”. Na urbanização Bairro Novo da Fonte Nova, pelo que dizem os moradores e segundo fontes da Junta de Freguesia, as baixadas eléctricas ainda são provisórias: “Fumam-se provisórios, enquanto não há definitivos”1.
A Câmara limitou-se, apenas, a dar o nome às ruas destas urbanizações, não avisou os moradores nem teve, sequer, respeito, pelos seus titulares, porque não as arranjou como devia para o dia do baptismo, nem lhes colocou as placas que mereciam. Mas, pelo que pude apurar, essas placas já existem, há muito tempo, só que nunca foram colocadas. Provavelmente, esqueceram- -se delas!
Em 21 de Junho de 2006, o Jornal “Notícias de Vila Real” avançou com a notícia “Almodena finalmente com placas toponímicas”, na qual a garantia da sua aquisição e respectiva colocação era dada por Nazaré Pereira, Vereador da Câmara Municipal, pelas suas palavras transcritas: “as placas estão todas encomendadas e começarão a ser colocadas logo que cheguem”, o que deverá acontecer durante o mês de Junho, como concluiu o referido jornal. A notícia referia, ainda, que a autarquia tinha investido 20 mil euros em cerca de 170 placas. Por isso, elas devem estar por aí, algures.
Graças ao voto de confiança dos eleitores naqueles que a têm representado, a freguesia de S. Dinis, de governação socialista, tem conseguido resistir ao poder social democrático que predomina neste concelho, desde que há eleições livres, em Portugal, com fortes prejuízos, para ela e seus residentes, em termos de desenvolvimento e investimento. Mas, Almodena é e sempre será o “parente pobre” das zonas da cidade. Contrariamente ao que deveria ter acontecido, a cidade desenvolveu-se e expandiu--se mais para nascente, com enormes prejuízos para a agricultura, destruindo propriedades e quintas de grande riqueza agrícola e em desfavor da parte poente. Provavelmente, os interesses e a especulação imobiliária falaram mais alto.
Se os Paços do Concelho e parte do centro histórico da cidade de Vila Real não se situassem nesta freguesia, a mesma já estaria dada ao esquecimento, definitivamente.
Só por isso se vai mantendo, provisoriamente...
1 Nota explicativa: (para os jovens leitores)
Em tempos, existiam duas marcas de tabaco económico sem filtro que eram concorrentes, mas semelhantes na forma da embalagem, na qualidade e no preço. Cada uma delas tinha os seus apreciadores. Sempre que os cigarros da marca “definitivos” se esgotavam na loja, os seus apreciadores optavam pela marca “provisórios” e, então, solicitavam-nos dizendo: “fumam-se provisórios enquanto não há definitivos”. E, assim, esta expressão passou a valer para tudo o que está por concluir.
Artigo Publicado no Semanário a Voz de Trás-os-Montes em 11 de Setembro de 2008
Wednesday, August 13, 2008
Plataformas “Bus” para quê?
Estão a ser instaladas, nas paragens dos transportes urbanos da cidade de Vila Real, umas plataformas que, segundo a Câmara Municipal, irão facilitar a acessibilidade aos cidadãos de mobilidade reduzida.
Pelo teor das notícias, os seus autores acham uma ideia brilhante e um projecto inovador, em termos de acessibilidades. Consideram-se pioneiros, mas não passam de meros seguidores, ao dar como exemplo a cidade de Barcelona, na aplicação da medida. Faz lembrar o Ministério da Educação, quando, há trinta ou mais anos, resolveu importar um modelo de edifício escolar e o implementou, em todo o país, sem ter em conta as diferenças climáticas das regiões. Para o caso, este factor não importa, mas estas duas cidades não têm comparação, em termos de grandeza, trânsito e movimento de pessoas. “Cada coelho na sua toca”! E não se vá confundir as coisas. Vamos, primeiro, pôr em prática aquilo que já existe, que é funcional e não tem custos acrescidos.
Compreendo o esforço que a Autarquia tem feito, através do Gabinete da Mobilidade, para encontrar soluções que permitam melhorar as acessibilidades, mas considero a colocação de plataformas uma medida desnecessária e até inadequada, para uma cidade como a nossa, onde as avenidas são raras e as ruas são estreitas. Mas, como a arquitectura urbanística nunca foi uma verdadeira preocupação para aqueles que a têm administrado, aceita-se a ideia: plataformas de betão, em vez de canteiros. Mais ridículo é querer justificar a sua utilidade, dizendo que as plataformas também servem para impedir que os carros estacionem naqueles locais de paragem. Então, para que servem as autoridades?
Há quatro anos que os transportes urbanos foram implementados na cidade de Vila Real, melhorando, provavelmente, o seu nível de utilização, a cada ano que passa. Inicialmente, foram criados percursos que, penso eu, ainda se mantêm, embora alguns devam ser corrigidos, pelo tempo de demora. Também foram criadas paragens em locais próprios que o motorista nem sempre utiliza. Umas vezes porque o espaço reservado ao autocarro se encontra ocupado por outros veículos, outras vezes porque ao motorista não lhe apetece fazer o desvio. Há, no entanto, paragens em locais impróprios, como, por exemplo, quando elas se verificam nos cruzamentos, nas curvas, ao lado de linhas contínuas e junto de passadeiras para peões e que é imperativo mudar.
Se as paragens estivessem devidamente situadas e sempre livres para o autocarro estacionar, de forma a recolher ou largar os passageiros junto do passeio, evitar se ia a colocação de plataformas que, de modo algum, vêm melhorar as acessibilidades. O desnível que passa a existir entre elas e o passeio também não deixa de ser uma barreira. As plataformas, por si só, já são uma barreira. Só servirão para facilitar a manobra ao condutor, com prejuízo para os outros motoristas que querem prosseguir a sua viagem. Tal como estão, deixam o autocarro implantado na faixa de rodagem, com uma fila de carros atrás, esperando que o motorista do autocarro deixe sair os passageiros, cobre os bilhetes ou verifique os passes dos que entram, impedindo, assim, o normal funcionamento do trânsito.
Esta é uma má medida, mas existem outras que, ao serem adoptadas, poderiam melhorar, substancialmente, as acessibilidades e facilitar a circulação de veículos e peões dentro da cidade. Por exemplo: se fossem modificadas ou desviadas algumas paragens para locais adequados; se a PSP tivesse um papel mais interventivo junto das paragens de transportes públicos e se marcasse mais presença nos locais onde o trânsito aflui com maior intensidade; se a mesma impedisse o estacionamento de carros em cima dos passeios; se rectificassem, em algumas ruas, o sentido do trânsito.
Vejam só! Na nossa cidade, o betão, depois de tanto se esticar para o ar, parece agora querer descansar. E, então, deita-se!
Este artigo foi publicado no Semanário "A Voz de Trás-os-Montes" no dia 14 de Agosto de 2008
Pelo teor das notícias, os seus autores acham uma ideia brilhante e um projecto inovador, em termos de acessibilidades. Consideram-se pioneiros, mas não passam de meros seguidores, ao dar como exemplo a cidade de Barcelona, na aplicação da medida. Faz lembrar o Ministério da Educação, quando, há trinta ou mais anos, resolveu importar um modelo de edifício escolar e o implementou, em todo o país, sem ter em conta as diferenças climáticas das regiões. Para o caso, este factor não importa, mas estas duas cidades não têm comparação, em termos de grandeza, trânsito e movimento de pessoas. “Cada coelho na sua toca”! E não se vá confundir as coisas. Vamos, primeiro, pôr em prática aquilo que já existe, que é funcional e não tem custos acrescidos.
Compreendo o esforço que a Autarquia tem feito, através do Gabinete da Mobilidade, para encontrar soluções que permitam melhorar as acessibilidades, mas considero a colocação de plataformas uma medida desnecessária e até inadequada, para uma cidade como a nossa, onde as avenidas são raras e as ruas são estreitas. Mas, como a arquitectura urbanística nunca foi uma verdadeira preocupação para aqueles que a têm administrado, aceita-se a ideia: plataformas de betão, em vez de canteiros. Mais ridículo é querer justificar a sua utilidade, dizendo que as plataformas também servem para impedir que os carros estacionem naqueles locais de paragem. Então, para que servem as autoridades?
Há quatro anos que os transportes urbanos foram implementados na cidade de Vila Real, melhorando, provavelmente, o seu nível de utilização, a cada ano que passa. Inicialmente, foram criados percursos que, penso eu, ainda se mantêm, embora alguns devam ser corrigidos, pelo tempo de demora. Também foram criadas paragens em locais próprios que o motorista nem sempre utiliza. Umas vezes porque o espaço reservado ao autocarro se encontra ocupado por outros veículos, outras vezes porque ao motorista não lhe apetece fazer o desvio. Há, no entanto, paragens em locais impróprios, como, por exemplo, quando elas se verificam nos cruzamentos, nas curvas, ao lado de linhas contínuas e junto de passadeiras para peões e que é imperativo mudar.
Se as paragens estivessem devidamente situadas e sempre livres para o autocarro estacionar, de forma a recolher ou largar os passageiros junto do passeio, evitar se ia a colocação de plataformas que, de modo algum, vêm melhorar as acessibilidades. O desnível que passa a existir entre elas e o passeio também não deixa de ser uma barreira. As plataformas, por si só, já são uma barreira. Só servirão para facilitar a manobra ao condutor, com prejuízo para os outros motoristas que querem prosseguir a sua viagem. Tal como estão, deixam o autocarro implantado na faixa de rodagem, com uma fila de carros atrás, esperando que o motorista do autocarro deixe sair os passageiros, cobre os bilhetes ou verifique os passes dos que entram, impedindo, assim, o normal funcionamento do trânsito.
Esta é uma má medida, mas existem outras que, ao serem adoptadas, poderiam melhorar, substancialmente, as acessibilidades e facilitar a circulação de veículos e peões dentro da cidade. Por exemplo: se fossem modificadas ou desviadas algumas paragens para locais adequados; se a PSP tivesse um papel mais interventivo junto das paragens de transportes públicos e se marcasse mais presença nos locais onde o trânsito aflui com maior intensidade; se a mesma impedisse o estacionamento de carros em cima dos passeios; se rectificassem, em algumas ruas, o sentido do trânsito.
Vejam só! Na nossa cidade, o betão, depois de tanto se esticar para o ar, parece agora querer descansar. E, então, deita-se!
Este artigo foi publicado no Semanário "A Voz de Trás-os-Montes" no dia 14 de Agosto de 2008
Sunday, August 10, 2008
Os “Fecha a Roda”
Os de Chaves chamam aos de Vila Real "fecha a roda", Porque será?
Certamente, haverá pessoas da nossa cidade capazes de explicar esta “alcunha”, assim, atribuída aos vila-realenses.
Existem histórias brejeiras de outras terras, onde o termo se aplica. Não quero sequer imagina que ele tenha tido aqui a mesma origem. Mas, também não era nada do outro mundo, nem seria mal geral. Então, nos tempos de hoje! Há males piores, como aqueles que vou mencionar. E, aí sim, se aplicaria muito bem a expressão.
No bom sentido da palavra, entende-se por “fecha a roda” alguém que, num jogo ou brincadeira de roda como se faz sempre que se canta o “apita o comboio”, ao assumir o primeiro lugar da fila na posição de “locomotiva”, se vai colocar atrás do último, fechando a roda.
Já todos nós notámos e logo dá conta quem chega de outras paragens que a sociedade de Vila Real funciona, em termos mais ou menos semelhantes, por rodas. Assim, existem, pelo menos, três rodas que correspondem às seguintes camadas sociais: os “óptimos”, os “bons” e os “fraquinhos”. Os “óptimos” são os que se auto-titulam de alta sociedade, aqueles que, normalmente, fazem questão de aparecer nas primeiras filas dos auditórios ou frente às tribunas, sempre que há espectáculos importantes ou comemorações; os “bons”, são aqueles que, não fazendo ainda parte desta elite, se esforçam por lhe pertencer; os “fraquinhos” são o resto da população, independentemente de serem ou não pessoas cultas e bem formadas, como se entende.
Na classe superior que referi existem grupos que se relacionam, entre si, de modo “fecha a roda”. Fazem as suas amizades, desenvolvem as suas conversas, auto-elogiam-se, tomam o chá juntos, mas não em qualquer café, claro. O grupo só se alarga se aparecer alguém mais nobre ou, então, alguém que permita dar um certo “décor” à roda. Se surge um intruso, logo de imediato se fecha a roda e ele fica de fora. Esta gente, às vezes, torna-se simpática e aberta, fora do seu círculo de amigos, numa relação mais individual, mas em grupo, reage com altivez, desvia o olhar de quem passa e não cumprimentam a outra gente que considera “fraquinha”.
Este termo “fecha a roda” também se aplica, perfeitamente, à nossa classe política local, no que toca à defesa dos seus interesses partidários, profissionais e familiares.
Se fizermos um pequeno levantamento, verificaremos que as instituições públicas e algumas semi-privadas se formam nesta base. Basta observarmos quem as constitui, a forma como estão organizadas e a quem encomendam os serviços. Cada uma delas é uma roda. Pelo menos, as instituições ou empresas que laboram com o dinheiro dos contribuintes deveriam ser geridas com mais transparência, seguindo o exemplo que passo apresentar. Uma Câmara Municipal de um concelho vizinho solicitou três propostas para a elaboração do seu boletim a três empresas diferentes. Perante as respostas, optou pela mais económica e publicou os valores das propostas dos concorrentes. Está provado que os trabalhos executados pelas mesmas empresas, com o tempo, perdem qualidade, ficam mais caros, permitem a promiscuidade nos negócios e favorecem uma política de “fecha a roda”. Na diversidade é que está o ganho! Mas os nossos governantes não aprendem, ou melhor, não querem aprender. Porque será?
Recentemente, tivemos conhecimento pelos órgãos de comunicação local, das comemorações do 83º Aniversário da elevação de Vila Real à condição de cidade e as cerimónias de condecoração e entrega de medalhas a algumas empresas e outras tantas individualidades. Pelas palavras proferidas, no momento, Manuel Martins, Presidente da Câmara Municipal, entende que estas distinções são de elevada importância para a comunidade vila-realense, dizendo: “Há pessoas que têm tido um papel relevante, no nosso conselho, um papel acima da normalidade e é por essa razão que premiamos estes cidadãos e entidades com uma medalha de mérito”.
Eu não entendo assim. Isto é puro exemplo de política “fecha a roda”, que beneficia e gratifica quase sempre os mesmos e a mesma classe. Esta prática já está fortemente enraizada na sociedade vila-realense de “faz de conta”. Algumas condecorações até se tornam ridículas. Porque, se há-de galardoar quem sempre teve as portas abertas para o enriquecimento fácil? Ao gratificar estes, quantos ficaram de fora, mais empreendedores, mais sérios, mais dotados. Talvez, com menos oportunidades!
Artigo publicado no Semanário "A Voz de Trás-os-Montes" em 31 de Julho de 2008
Certamente, haverá pessoas da nossa cidade capazes de explicar esta “alcunha”, assim, atribuída aos vila-realenses.
Existem histórias brejeiras de outras terras, onde o termo se aplica. Não quero sequer imagina que ele tenha tido aqui a mesma origem. Mas, também não era nada do outro mundo, nem seria mal geral. Então, nos tempos de hoje! Há males piores, como aqueles que vou mencionar. E, aí sim, se aplicaria muito bem a expressão.
No bom sentido da palavra, entende-se por “fecha a roda” alguém que, num jogo ou brincadeira de roda como se faz sempre que se canta o “apita o comboio”, ao assumir o primeiro lugar da fila na posição de “locomotiva”, se vai colocar atrás do último, fechando a roda.
Já todos nós notámos e logo dá conta quem chega de outras paragens que a sociedade de Vila Real funciona, em termos mais ou menos semelhantes, por rodas. Assim, existem, pelo menos, três rodas que correspondem às seguintes camadas sociais: os “óptimos”, os “bons” e os “fraquinhos”. Os “óptimos” são os que se auto-titulam de alta sociedade, aqueles que, normalmente, fazem questão de aparecer nas primeiras filas dos auditórios ou frente às tribunas, sempre que há espectáculos importantes ou comemorações; os “bons”, são aqueles que, não fazendo ainda parte desta elite, se esforçam por lhe pertencer; os “fraquinhos” são o resto da população, independentemente de serem ou não pessoas cultas e bem formadas, como se entende.
Na classe superior que referi existem grupos que se relacionam, entre si, de modo “fecha a roda”. Fazem as suas amizades, desenvolvem as suas conversas, auto-elogiam-se, tomam o chá juntos, mas não em qualquer café, claro. O grupo só se alarga se aparecer alguém mais nobre ou, então, alguém que permita dar um certo “décor” à roda. Se surge um intruso, logo de imediato se fecha a roda e ele fica de fora. Esta gente, às vezes, torna-se simpática e aberta, fora do seu círculo de amigos, numa relação mais individual, mas em grupo, reage com altivez, desvia o olhar de quem passa e não cumprimentam a outra gente que considera “fraquinha”.
Este termo “fecha a roda” também se aplica, perfeitamente, à nossa classe política local, no que toca à defesa dos seus interesses partidários, profissionais e familiares.
Se fizermos um pequeno levantamento, verificaremos que as instituições públicas e algumas semi-privadas se formam nesta base. Basta observarmos quem as constitui, a forma como estão organizadas e a quem encomendam os serviços. Cada uma delas é uma roda. Pelo menos, as instituições ou empresas que laboram com o dinheiro dos contribuintes deveriam ser geridas com mais transparência, seguindo o exemplo que passo apresentar. Uma Câmara Municipal de um concelho vizinho solicitou três propostas para a elaboração do seu boletim a três empresas diferentes. Perante as respostas, optou pela mais económica e publicou os valores das propostas dos concorrentes. Está provado que os trabalhos executados pelas mesmas empresas, com o tempo, perdem qualidade, ficam mais caros, permitem a promiscuidade nos negócios e favorecem uma política de “fecha a roda”. Na diversidade é que está o ganho! Mas os nossos governantes não aprendem, ou melhor, não querem aprender. Porque será?
Recentemente, tivemos conhecimento pelos órgãos de comunicação local, das comemorações do 83º Aniversário da elevação de Vila Real à condição de cidade e as cerimónias de condecoração e entrega de medalhas a algumas empresas e outras tantas individualidades. Pelas palavras proferidas, no momento, Manuel Martins, Presidente da Câmara Municipal, entende que estas distinções são de elevada importância para a comunidade vila-realense, dizendo: “Há pessoas que têm tido um papel relevante, no nosso conselho, um papel acima da normalidade e é por essa razão que premiamos estes cidadãos e entidades com uma medalha de mérito”.
Eu não entendo assim. Isto é puro exemplo de política “fecha a roda”, que beneficia e gratifica quase sempre os mesmos e a mesma classe. Esta prática já está fortemente enraizada na sociedade vila-realense de “faz de conta”. Algumas condecorações até se tornam ridículas. Porque, se há-de galardoar quem sempre teve as portas abertas para o enriquecimento fácil? Ao gratificar estes, quantos ficaram de fora, mais empreendedores, mais sérios, mais dotados. Talvez, com menos oportunidades!
Artigo publicado no Semanário "A Voz de Trás-os-Montes" em 31 de Julho de 2008
Friday, July 25, 2008
Finalmente! Mas fora de tempo
Ao fim de muitos anos de espera, as populações de Arnadelo e Pomarelhos, da freguesia de Torgueda, começaram já a usufruir da rede de esgotos, recentemente concluída. Das nove localidades da freguesia, foram estas as primeiras contempladas. Resta agora saber para quando as restantes poderão vir a beneficiar deste bem essencial.
Pena foi que este serviço chegasse, tão tardiamente, a estas localidades. Se tivesse surgido há uma dezena de anos, poderia ter impedido a fuga de muitas famílias para a cidade de Vila Real e, assim, evitado a desertificação destas aldeias. Claro que este fenómeno da desertificação não se deve exclusivamente a este factor, mas quantas famílias quiseram construir a sua moradia nestas povoações e só o não fizeram por falta das infra-estruturas básicas, necessárias a uma construção com condições de habitabilidade.
Referindo-me, particularmente à aldeia de Arnadelo, em tempos uma das mais prósperas e com mais habitantes, está hoje transformada numa “aldeia deserta”, ruas completas de casas, sem ninguém para nelas morar. Como foi possível deixar chegar uma aldeia que dista escassos quilómetros de Vila Real a este estado de desertificação? Certamente, todos teremos uma quota-parte de culpa, porque, à procura de bem-estar, abandonamos, de forma fácil, as nossas origens. Mas, o nosso município e os seus governantes são os principais responsáveis por esta situação, porque sempre privilegiaram a cidade, em desfavor do meio rural. Todos os investimentos levados a cabo, nos últimos trinta anos, tiveram sempre uma única direcção, a cidade de Vila Real. Ao mesmo tempo, exemplos contrários poderiam apreciar-se nos concelhos limítrofes, onde as infra-estruturas básicas (caminhos/estradas, redes de água, esgotos e saneamento) levavam alguns anos de avanço.
O procedimento das nossas autarquias faz-se ao contrário do que prevê a Constituição da República. No seu art.º 90, refere que “os planos de desenvolvimento económico e social têm por objectivo promover o crescimento económico, o desenvolvimento harmonioso e integrado de sectores e regiões, a justa repartição individual e regional do produto nacional, a coordenação da política económica com as políticas social, educativa e cultural, a defesa do mundo rural, a preservação do equilíbrio ecológico, a defesa do ambiente e a qualidade de vida do povo português”.
Se reflectirmos um pouco sobre estes princípios, verificaremos que o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, foram completamente ignorados, pelos nossos políticos, representantes da Nação, em geral, e pelos governantes locais, em particular.
Artigo publicado no Semanário "A Voz-de-Trás-os-Montes" de 17/07/2008
Pena foi que este serviço chegasse, tão tardiamente, a estas localidades. Se tivesse surgido há uma dezena de anos, poderia ter impedido a fuga de muitas famílias para a cidade de Vila Real e, assim, evitado a desertificação destas aldeias. Claro que este fenómeno da desertificação não se deve exclusivamente a este factor, mas quantas famílias quiseram construir a sua moradia nestas povoações e só o não fizeram por falta das infra-estruturas básicas, necessárias a uma construção com condições de habitabilidade.
Referindo-me, particularmente à aldeia de Arnadelo, em tempos uma das mais prósperas e com mais habitantes, está hoje transformada numa “aldeia deserta”, ruas completas de casas, sem ninguém para nelas morar. Como foi possível deixar chegar uma aldeia que dista escassos quilómetros de Vila Real a este estado de desertificação? Certamente, todos teremos uma quota-parte de culpa, porque, à procura de bem-estar, abandonamos, de forma fácil, as nossas origens. Mas, o nosso município e os seus governantes são os principais responsáveis por esta situação, porque sempre privilegiaram a cidade, em desfavor do meio rural. Todos os investimentos levados a cabo, nos últimos trinta anos, tiveram sempre uma única direcção, a cidade de Vila Real. Ao mesmo tempo, exemplos contrários poderiam apreciar-se nos concelhos limítrofes, onde as infra-estruturas básicas (caminhos/estradas, redes de água, esgotos e saneamento) levavam alguns anos de avanço.
O procedimento das nossas autarquias faz-se ao contrário do que prevê a Constituição da República. No seu art.º 90, refere que “os planos de desenvolvimento económico e social têm por objectivo promover o crescimento económico, o desenvolvimento harmonioso e integrado de sectores e regiões, a justa repartição individual e regional do produto nacional, a coordenação da política económica com as políticas social, educativa e cultural, a defesa do mundo rural, a preservação do equilíbrio ecológico, a defesa do ambiente e a qualidade de vida do povo português”.
Se reflectirmos um pouco sobre estes princípios, verificaremos que o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, foram completamente ignorados, pelos nossos políticos, representantes da Nação, em geral, e pelos governantes locais, em particular.
Artigo publicado no Semanário "A Voz-de-Trás-os-Montes" de 17/07/2008
Thursday, April 03, 2008
O impacto da notícia
“Vídeo de agressão à professora” foi título de notícia, há duas semanas, e, ultimamente, não se tem falado de outra coisa. Uma aluna desafiando, de forma agressiva, uma professora, por esta lhe ter retirado o telemóvel que estaria a utilizar, em plena sala de aula.
Porque razão é que esta notícia teve tanto impacto?
Em primeiro lugar, pela forma como o jornal “Expresso” a descreve e a apresenta, “on line”, acompanhada do vídeo, difundindo as imagens da situação ocorrida. No meu entender, num estilo desnecessariamente “sensasionalista”. Em segundo, pela sua actualidade, pois que, presentemente, se tem discutido muito sobre as políticas da Educação: “avaliação dos professores”, “estatuto do aluno” e “autonomia e gestão de escolas”. Em terceiro, pela sua proximidade e abrangência. É um assunto que diz respeito a todos, “pais e filhos”, e é resultante de um conflito de âmbito escolar.
Sobre o ocorrido, todas as pessoas quiseram dar a sua opinião: na rua, discutiam o assunto, umas com as outras; no local de trabalho, os colegas contavam o sucedido, uns aos outros; nos jornais, os escritores de opinião davam os seus pareceres; na rádio, os comentadores davam a palavra aos ouvintes; na televisão, os comentadores políticos analisavam os factos e apresentavam algumas receitas para a educação; os cibernautas retratavam as imagens e descreviam a situação, com um certo humor.
Sobre o assunto, em questão, ninguém deixou de dar o seu palpite. Parecia tratar-se de uma notícia sensacional do tipo “O homem que mordeu o cão”. Os comentários surgiam, em catadupa, de todas as formas e feitios. Dos mais sensatos aos mais disparatados, mas todos interessantes: “Tenho trinta anos e, no meu tempo de escola, nunca vi uma coisa destas!”, “Duas semanas a lavar casas de banho da escola e resolvia-se o caso... mas não se pode, as crianças são o melhor do mundo!”, “A professora não tem autoridade nenhuma. Viu-se. É o espelho de toda a classe, é o jogo de espelhos em que se transformou esta sociedade.”, “A culpa não é da aluna! A culpa desta situação é dos pais da aluna.”, ”A falta de educação destes miúdos é de bradar aos céus!”, “Alguém sabe o que é uma cana da índia? No meu tempo, a professora tinha uma, na secretária, caso alguém não fosse de todo correcto levava com ela, já para não falar da bela régua de madeira…”, “Acho que, na medida certa, devia ser permitido “bater” nos alunos! Eu levei uns “calduços”, na primária, e não me fez mal nenhum. Não sou nenhuma traumatizada.”, “Esta aluna é um exemplo típico de uma geração “perdida”, uma geração “rebelde”, que se baseia em grupos musicais, telenovelas, internet, etc. Na realidade, esta miúda não passa de uma “pita”, com a mania que é melhor que a professora, que a pode controlar”, “Dão telemóveis às criancinhas, viciam-nas, tornam-nas dependentes desse aparelho, e, depois, não querem que os levem para as aulas?”, “Talvez, um dia, o telemóvel venha a ser um material escolar obrigatório, na aula, como é o livro e o caderno”.
Estes comentários levam-nos a concluir que as pessoas interpretam os factos e dão as opiniões, um pouco da forma como foram ou são educadas, mas, de uma maneira geral, quase todas são unânimes em culpar a aluna, pela “birra” ou “agressão”, considerando que ela deveria ser penalizada. Já, no meu entender, não fará sentido nenhum a sua transferência para outra escola, como castigo a aplicar. Compreendo que seja uma das medidas previstas no estatuto do aluno, mas, nesta situação, não se enquadra. Então, um mau exemplo que não serve para uns, há-de servir para outros? E em termos de aceitação? Que colegas vai ela encontrar? Com quem vai ela fazer amizades?
Este acontecimento, se não fosse filmado e divulgado, como foi, não passaria duma pequena “tempestade num copo de água”. Há, todos os dias, problemas idênticos a estes, nas nossas escolas. E, no entanto, os professores resolvem-nos. É uma questão de saber gerir conflitos. Não podemos branquear os factos, mas temos que enquadrar o sucedido no tempo presente, como reflexo de uma sociedade complexa, em mudança de mentalidades e alteração de valores.
Artigo publicado no Semanário "A Voz-de-Trás-os-Montes" de 03/04/2008
Porque razão é que esta notícia teve tanto impacto?
Em primeiro lugar, pela forma como o jornal “Expresso” a descreve e a apresenta, “on line”, acompanhada do vídeo, difundindo as imagens da situação ocorrida. No meu entender, num estilo desnecessariamente “sensasionalista”. Em segundo, pela sua actualidade, pois que, presentemente, se tem discutido muito sobre as políticas da Educação: “avaliação dos professores”, “estatuto do aluno” e “autonomia e gestão de escolas”. Em terceiro, pela sua proximidade e abrangência. É um assunto que diz respeito a todos, “pais e filhos”, e é resultante de um conflito de âmbito escolar.
Sobre o ocorrido, todas as pessoas quiseram dar a sua opinião: na rua, discutiam o assunto, umas com as outras; no local de trabalho, os colegas contavam o sucedido, uns aos outros; nos jornais, os escritores de opinião davam os seus pareceres; na rádio, os comentadores davam a palavra aos ouvintes; na televisão, os comentadores políticos analisavam os factos e apresentavam algumas receitas para a educação; os cibernautas retratavam as imagens e descreviam a situação, com um certo humor.
Sobre o assunto, em questão, ninguém deixou de dar o seu palpite. Parecia tratar-se de uma notícia sensacional do tipo “O homem que mordeu o cão”. Os comentários surgiam, em catadupa, de todas as formas e feitios. Dos mais sensatos aos mais disparatados, mas todos interessantes: “Tenho trinta anos e, no meu tempo de escola, nunca vi uma coisa destas!”, “Duas semanas a lavar casas de banho da escola e resolvia-se o caso... mas não se pode, as crianças são o melhor do mundo!”, “A professora não tem autoridade nenhuma. Viu-se. É o espelho de toda a classe, é o jogo de espelhos em que se transformou esta sociedade.”, “A culpa não é da aluna! A culpa desta situação é dos pais da aluna.”, ”A falta de educação destes miúdos é de bradar aos céus!”, “Alguém sabe o que é uma cana da índia? No meu tempo, a professora tinha uma, na secretária, caso alguém não fosse de todo correcto levava com ela, já para não falar da bela régua de madeira…”, “Acho que, na medida certa, devia ser permitido “bater” nos alunos! Eu levei uns “calduços”, na primária, e não me fez mal nenhum. Não sou nenhuma traumatizada.”, “Esta aluna é um exemplo típico de uma geração “perdida”, uma geração “rebelde”, que se baseia em grupos musicais, telenovelas, internet, etc. Na realidade, esta miúda não passa de uma “pita”, com a mania que é melhor que a professora, que a pode controlar”, “Dão telemóveis às criancinhas, viciam-nas, tornam-nas dependentes desse aparelho, e, depois, não querem que os levem para as aulas?”, “Talvez, um dia, o telemóvel venha a ser um material escolar obrigatório, na aula, como é o livro e o caderno”.
Estes comentários levam-nos a concluir que as pessoas interpretam os factos e dão as opiniões, um pouco da forma como foram ou são educadas, mas, de uma maneira geral, quase todas são unânimes em culpar a aluna, pela “birra” ou “agressão”, considerando que ela deveria ser penalizada. Já, no meu entender, não fará sentido nenhum a sua transferência para outra escola, como castigo a aplicar. Compreendo que seja uma das medidas previstas no estatuto do aluno, mas, nesta situação, não se enquadra. Então, um mau exemplo que não serve para uns, há-de servir para outros? E em termos de aceitação? Que colegas vai ela encontrar? Com quem vai ela fazer amizades?
Este acontecimento, se não fosse filmado e divulgado, como foi, não passaria duma pequena “tempestade num copo de água”. Há, todos os dias, problemas idênticos a estes, nas nossas escolas. E, no entanto, os professores resolvem-nos. É uma questão de saber gerir conflitos. Não podemos branquear os factos, mas temos que enquadrar o sucedido no tempo presente, como reflexo de uma sociedade complexa, em mudança de mentalidades e alteração de valores.
Artigo publicado no Semanário "A Voz-de-Trás-os-Montes" de 03/04/2008
Wednesday, March 26, 2008
Um autêntico “atentado”
Um autêntico “atentado” à classe dos professores é o artigo publicado, no jornal “Correio da Manhã”, há duas semanas atrás, da autoria do jornalista Emídio Rangel.
O artigo, feito circular entre os professores, via e-mail, por alguém mais atento, logo após a sua publicação, gerou na classe uma enorme onda de revolta. Como se já não bastasse a pressão do Ministério da Educação, com as medidas da avaliação de desempenho dos professores, para os irritar, surgem também intrusos como este, tendenciosos, numa estratégia de tensão, lançando achas para a fogueira. Perante tais afirmações, qualquer leitor consciente, as repudia. Autênticas provocações reaccionárias que só podem ser ditas, daquela forma, por alguém irreverente e mal-formado.
Quando escreve, “tenho vergonha destes pseudo-professores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações”, deveria lembrar-se que está a ofender uma classe de gente responsável e não meia dúzia de incompetentes que qualquer grupo profissional suporta. Então, pela forma como escreve, talvez ele seja um pseudo-jornalista, dentro da sua classe, ao comparar os professores que se manifestaram, de forma ordeira, aos “hooligans” do futebol. A forma cínica como os compara aos operários da Lisnave, quando estes se manifestaram, em 1975, é repugnante. Tal comparação, além de irracional, só pode ser dita por alguém de intenções duvidosas e partidárias, ou, então, estar possuído de algo de demoníaco que o impede de analisar os factos de forma isenta, como o obriga a conduta de jornalista.
Valoriza os professores do “sistema” em desprimor dos actuais, dizendo: “lembro-me bem dos meus professores. Não tinham nada que ver com esta gente”. Vê-se mesmo que quem assim fala é um saudosista refinado do “regime” ou então deve ter sido um dos privilegiados, no seu percurso escolar. Assim era a escola de então, só para alguns, como este senhor, não era para todos, como hoje é. Quantos dos seus colegas de escola tão ou mais capacitados do que ele ficaram para trás. Foram condenados ao insucesso e, muitas vezes, por desconhecimento ou negligência do próprio professor. Tenho a certeza que os mesmos alunos de hoje, ensinados com as práticas de então, provocariam um enorme desastre educativo, impossível de controlar. Tenho pena que este senhor não tenha sido um dos muitos disléxicos que foram impedidos, barbaramente, de fazer a sua aprendizagem, só porque davam erros ortográficos ou não construíam bem as frases. Talvez não tivesse chegado tão alto e a sociedade de hoje não estivesse, mentalmente, tão poluída!
Como pode alguém que teve responsabilidade nas maiores escolas de educação paralela, como são os canais de rádio e televisão TSF, SIC e RTP, criticar uma classe que, a todo o custo, tenta combater muitos dos malefícios provocados por alguns destes e outros órgãos de comunicação?
A cegueira de que este homem está possuído, impede-o de olhar para ele próprio e ver todo o lixo que ele produziu, só para ganhar audiências televisivas, enquanto responsável na SIC. Certamente, esse lixo, sim, deve ter contaminado muitos milhares de crianças e jovens que, hoje, frequentam as nossas escolas e têm comportamento indisciplinar.
Portugal não pode continuar a pôr à frente dos órgãos de comunicação gente como esta que não tem respeito pelos outros e, pelo que escreve, de educação pouco sabe. Em todo o seu percurso profissional, de utilidade para a sociedade, pouco mais deve ter feito do que enriquecer-se a ele e a uma boa meia dúzia de empresários.
Artigo publicado no Semanário "A Voz de Trás-os-Montes em 27/03/2008
O artigo, feito circular entre os professores, via e-mail, por alguém mais atento, logo após a sua publicação, gerou na classe uma enorme onda de revolta. Como se já não bastasse a pressão do Ministério da Educação, com as medidas da avaliação de desempenho dos professores, para os irritar, surgem também intrusos como este, tendenciosos, numa estratégia de tensão, lançando achas para a fogueira. Perante tais afirmações, qualquer leitor consciente, as repudia. Autênticas provocações reaccionárias que só podem ser ditas, daquela forma, por alguém irreverente e mal-formado.
Quando escreve, “tenho vergonha destes pseudo-professores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações”, deveria lembrar-se que está a ofender uma classe de gente responsável e não meia dúzia de incompetentes que qualquer grupo profissional suporta. Então, pela forma como escreve, talvez ele seja um pseudo-jornalista, dentro da sua classe, ao comparar os professores que se manifestaram, de forma ordeira, aos “hooligans” do futebol. A forma cínica como os compara aos operários da Lisnave, quando estes se manifestaram, em 1975, é repugnante. Tal comparação, além de irracional, só pode ser dita por alguém de intenções duvidosas e partidárias, ou, então, estar possuído de algo de demoníaco que o impede de analisar os factos de forma isenta, como o obriga a conduta de jornalista.
Valoriza os professores do “sistema” em desprimor dos actuais, dizendo: “lembro-me bem dos meus professores. Não tinham nada que ver com esta gente”. Vê-se mesmo que quem assim fala é um saudosista refinado do “regime” ou então deve ter sido um dos privilegiados, no seu percurso escolar. Assim era a escola de então, só para alguns, como este senhor, não era para todos, como hoje é. Quantos dos seus colegas de escola tão ou mais capacitados do que ele ficaram para trás. Foram condenados ao insucesso e, muitas vezes, por desconhecimento ou negligência do próprio professor. Tenho a certeza que os mesmos alunos de hoje, ensinados com as práticas de então, provocariam um enorme desastre educativo, impossível de controlar. Tenho pena que este senhor não tenha sido um dos muitos disléxicos que foram impedidos, barbaramente, de fazer a sua aprendizagem, só porque davam erros ortográficos ou não construíam bem as frases. Talvez não tivesse chegado tão alto e a sociedade de hoje não estivesse, mentalmente, tão poluída!
Como pode alguém que teve responsabilidade nas maiores escolas de educação paralela, como são os canais de rádio e televisão TSF, SIC e RTP, criticar uma classe que, a todo o custo, tenta combater muitos dos malefícios provocados por alguns destes e outros órgãos de comunicação?
A cegueira de que este homem está possuído, impede-o de olhar para ele próprio e ver todo o lixo que ele produziu, só para ganhar audiências televisivas, enquanto responsável na SIC. Certamente, esse lixo, sim, deve ter contaminado muitos milhares de crianças e jovens que, hoje, frequentam as nossas escolas e têm comportamento indisciplinar.
Portugal não pode continuar a pôr à frente dos órgãos de comunicação gente como esta que não tem respeito pelos outros e, pelo que escreve, de educação pouco sabe. Em todo o seu percurso profissional, de utilidade para a sociedade, pouco mais deve ter feito do que enriquecer-se a ele e a uma boa meia dúzia de empresários.
Artigo publicado no Semanário "A Voz de Trás-os-Montes em 27/03/2008
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