Estão a ser instaladas, nas paragens dos transportes urbanos da cidade de Vila Real, umas plataformas que, segundo a Câmara Municipal, irão facilitar a acessibilidade aos cidadãos de mobilidade reduzida.
Pelo teor das notícias, os seus autores acham uma ideia brilhante e um projecto inovador, em termos de acessibilidades. Consideram-se pioneiros, mas não passam de meros seguidores, ao dar como exemplo a cidade de Barcelona, na aplicação da medida. Faz lembrar o Ministério da Educação, quando, há trinta ou mais anos, resolveu importar um modelo de edifício escolar e o implementou, em todo o país, sem ter em conta as diferenças climáticas das regiões. Para o caso, este factor não importa, mas estas duas cidades não têm comparação, em termos de grandeza, trânsito e movimento de pessoas. “Cada coelho na sua toca”! E não se vá confundir as coisas. Vamos, primeiro, pôr em prática aquilo que já existe, que é funcional e não tem custos acrescidos.
Compreendo o esforço que a Autarquia tem feito, através do Gabinete da Mobilidade, para encontrar soluções que permitam melhorar as acessibilidades, mas considero a colocação de plataformas uma medida desnecessária e até inadequada, para uma cidade como a nossa, onde as avenidas são raras e as ruas são estreitas. Mas, como a arquitectura urbanística nunca foi uma verdadeira preocupação para aqueles que a têm administrado, aceita-se a ideia: plataformas de betão, em vez de canteiros. Mais ridículo é querer justificar a sua utilidade, dizendo que as plataformas também servem para impedir que os carros estacionem naqueles locais de paragem. Então, para que servem as autoridades?
Há quatro anos que os transportes urbanos foram implementados na cidade de Vila Real, melhorando, provavelmente, o seu nível de utilização, a cada ano que passa. Inicialmente, foram criados percursos que, penso eu, ainda se mantêm, embora alguns devam ser corrigidos, pelo tempo de demora. Também foram criadas paragens em locais próprios que o motorista nem sempre utiliza. Umas vezes porque o espaço reservado ao autocarro se encontra ocupado por outros veículos, outras vezes porque ao motorista não lhe apetece fazer o desvio. Há, no entanto, paragens em locais impróprios, como, por exemplo, quando elas se verificam nos cruzamentos, nas curvas, ao lado de linhas contínuas e junto de passadeiras para peões e que é imperativo mudar.
Se as paragens estivessem devidamente situadas e sempre livres para o autocarro estacionar, de forma a recolher ou largar os passageiros junto do passeio, evitar se ia a colocação de plataformas que, de modo algum, vêm melhorar as acessibilidades. O desnível que passa a existir entre elas e o passeio também não deixa de ser uma barreira. As plataformas, por si só, já são uma barreira. Só servirão para facilitar a manobra ao condutor, com prejuízo para os outros motoristas que querem prosseguir a sua viagem. Tal como estão, deixam o autocarro implantado na faixa de rodagem, com uma fila de carros atrás, esperando que o motorista do autocarro deixe sair os passageiros, cobre os bilhetes ou verifique os passes dos que entram, impedindo, assim, o normal funcionamento do trânsito.
Esta é uma má medida, mas existem outras que, ao serem adoptadas, poderiam melhorar, substancialmente, as acessibilidades e facilitar a circulação de veículos e peões dentro da cidade. Por exemplo: se fossem modificadas ou desviadas algumas paragens para locais adequados; se a PSP tivesse um papel mais interventivo junto das paragens de transportes públicos e se marcasse mais presença nos locais onde o trânsito aflui com maior intensidade; se a mesma impedisse o estacionamento de carros em cima dos passeios; se rectificassem, em algumas ruas, o sentido do trânsito.
Vejam só! Na nossa cidade, o betão, depois de tanto se esticar para o ar, parece agora querer descansar. E, então, deita-se!
Este artigo foi publicado no Semanário "A Voz de Trás-os-Montes" no dia 14 de Agosto de 2008
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment