Sunday, January 25, 2009

UTAD sem tecnologia aplicada

No dia nove de Outubro, desloquei-me aos serviços administrativos da UTAD para requerer um certificado de matrícula que é obrigatório entregar, todos os anos, à entidade empregadora durante o mês de Outubro, para não perder os direitos à assistência médica e ao subsídio familiar do meu descendente, enquanto estudante.
Logo que cheguei, deparei com uma fila de estudantes que aguardavam a sua vez para tratar variadíssimos assuntos. Tomei o meu lugar e mantive-me na fila durante um quarto de hora, aproximadamente. Ao fim desse tempo, um estudante que estava na fila, orientou-me para outra repartição dos mesmos serviços, ali próximo, onde poderia requerer o certificado de matrícula. Fui para lá, aproximei-me do “guichet”, pedi informação à funcionária que, prontamente, me despachou para o local de onde nunca deveria ter saído. Voltei e, como seria de esperar, encontrei a fila maior do que a tinha deixado. Tomei outra vez posição e passado algum tempo, como a fila não se mexia, perdi a paciência e dirigi-me ao balcão, dizendo o que pretendia. De imediato, a funcionária entregou-me um formulário e disse-me para o preencher e voltar para a fila. Como o objectivo era apenas requerer o documento, perguntei se não haveria outra forma de o fazer, pensando por exemplo numa caixa de correio onde pudesse meter um envelope com o impresso devidamente preenchido ou então, via internet. Mas foi-me dito que não. Agradeci a informação, olhei uma vez mais para a fila, contei por alto umas trinta pessoas e, sem mais, fui para casa preencher o impresso, pensando voltar num dia com mais sorte.
Teria sido um pouco arriscado tentar resolver o problema naquela altura, porque não tinha a certeza de poder ser atendido até à hora do fecho e, pelo despacho que as funcionárias demonstravam, era provável que, mesmo alguns dos que estavam à minha frente, ficassem para o dia seguinte. Estava de crer que assim fosse. Vendo bem o panorama, encontravam-se três funcionárias ao serviço, naquele momento, mas apenas duas estavam a prestar atendimento ao público. Dessas duas, uma delas ainda perdia algum tempo a pavonear-se. Também faz falta gente assim! Pelo menos, dá algum “décor” à situação e distrai os resignados.
Quando me dirigia para o carro, em conversa com alguém, ainda pude constatar que, afinal, não há mesmo dias de sorte. Nestes serviços, além de um horário de atendimento, já de si reduzido, os dias são todos de azar. Isto é, sempre que alguém necessita de tratar de algum assunto, apanha com fila e, às vezes, com alguma arrogância. Nem os dias de praxes se salvam!
De facto, veio-me à lembrança que, já há um ano ou dois, me tinha acontecido, o mesmo. Por isso, esta forma de atendimento já se arrasta há muitos anos.
Será que já não está na hora de mudar? Mas, afinal, não estamos a falar dos serviços administrativos de uma Universidade que parece querer pautar-se pela inovação e uso das novas tecnologias? Parece que, afinal, é só teoria! Então, já é possível constituir uma empresa em 48 horas e a UTAD não é capaz de implementar um programa que permita aos alunos solicitar, via internet, um simples certificado de matrícula e aos serviços administrativos responder de igual modo? Pelos vistos, os serviços só são retrógrados no processamento dos documentos, porque, no que toca ao pagamento, já são demasiado avançados. Por incrível que pareça, não aceitam dinheiro vivo, apenas cartão multibanco. Como é possível? E, já agora, onde está a “dita cuja” secretaria virtual?
Uma vez, recentemente, nomeado o Vice-Reitor para o Departamento de Assuntos Académicos, deixo aqui a questão para que ele mesmo possa responder. Mas, esperemos que o faça com mais rapidez do que algumas das suas funcionárias administrativas a atender o público.
Artigo publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 23/10/2008

A caridade compensa!

A pretexto da “crise” algumas Câmaras, como a de Vila Real, implementam projectos de ajuda às famílias “carenciadas” com acções que são próprias de Instituições de Caridade. No meu entendimento, é incorrecto um município envolver-se em acções como aquela que têm sido divulgada, recentemente, nalguma imprensa regional de Vila Real, intitulada de “Câmara Amiga”.
Compreendo que, para além da sua competência político-administrativa, a autarquia possa também desempenhar um importante papel social e económico, mas não entendo como é possível uma Câmara estar tão disponível para dinamizar acções deste género, quando deveria estar centrada em outras áreas de competência que lhe dizem mais respeito. Também não me parece muito bem a ligação com as empresas, para a angariação de bens alimentares e outros, que mais tarde distribuirá a alguns munícipes. A distribuição de bens às famílias da forma como está a ser feita faz lembrar o “saquinho da propaganda política” recheado de produtos alimentares oferecido por alguns partidos nas vésperas de eleições com um só intuito, de conquistar eleitores e, certamente, votos. Estas acções só favorecem a promiscuidade de competências e aproveitamentos políticos. Perante tal realidade, quer parecer-me que a campanha para as autárquicas já começou.
Compreendo que possam existir algumas famílias carenciadas no nosso concelho e que, face à crise, estejam a necessitar de ajuda, mas não me parece bem ser o município a fazer o trabalho de campo, de forma tão descarada. A Câmara deverá deixar este tipo de acções para as instituições de caridade ou outras organizações de solidariedade social que, essas sim estarão vocacionadas para tal. Além disso, nem sempre a ajuda é dada a quem mais precisa. Há anos, alguns presidentes de Juntas de freguesia deste concelho mandaram distribuir produtos alimentares e insistiam para que todas as pessoas idosas aceitassem a dádiva, independentemente de ter ou não necessidade. Neste momento, são muitas as pessoas a querer comparticipar nas campanhas do Banco Alimentar Contra a Fome ou através de outros projectos de solidariedade social, mas todas querem ter a certeza que a sua oferta chega ao destinatário certo. E, nem sempre acontece.
Critica-se José Sócrates de correr o país a fazer propaganda política, oferecendo o “Magalhães”, que considero de alguma importância, mas as Câmaras fazem o mesmo, oferecendo, desnecessariamente, aos alunos “mochilas” no início do ano lectivo e pagando almoços aos “ velhinhos” e aos professores no final do ano. Como pode assim, uma instituição destas pôr-se a pedir esmola à porta das empresas e às pessoas em particular, para a seguir distribuí-la às famílias de poucos recursos, ou não, e depois esbanjar centenas ou milhares de euros em bugigangas e almoços de confraternização.
Em vez de andar a “dar a sopa aos pobres” que não é a sua principal competência, o Município deveria preocupar-se com outras medidas: implementar projectos urbanísticos sérios, com rigor orçamental, que criem progresso e desenvolvimento regional, impedindo, que muitos jovens e bons profissionais emigrem para outras paragens, em busca de melhores condições de vida; acabar definitivamente com as tarifas de disponibilidade de abastecimento de água, saneamento, lixo e outros impostos que continuam a ser, abusivamente, cobradas pelas empresas municipais, a todos os consumidores, independentemente de serem ou não carenciados. Estas deveriam ser as práticas político-administrativas de uma verdadeira “Câmara Amiga”.
As Câmaras não são Segurança Social nem Instituições de solidariedade social!
Publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 22/01/2009

Feira do Levante, um espaço cheio de vantagens!

Há pouco tempo, foi inaugurada a Feira do Levante em Vila Real e já sobram os problemas para quem circula nas suas proximidades. Estava de prever que tal acontecesse! Quem projecta um espaço comercial assim, num local como aquele, não pode ter bom senso nem sensibilidade com a natureza.
Em primeiro de tudo, está construído na margem de um pequeno curso de água, espaço ecológico, que deveria merecer mais respeito. Já se está mesmo a ver, os sacos plásticos, no fim de cada feira, a voarem por todo o lado!
Sabendo que este tipo de feiras atraem sempre muita gente e com ela muito trânsito seria impensável situar tal complexo nas proximidades de um hospital, sem todas as infra-estruturas asseguradas. Sabíamos que, após o seu funcionamento, traria transtorno em termos de acessibilidades. Podemos mesmo considerar um erro em cima de outro, neste caso um erro debaixo de outro: primeiro, a bomba de gasolina que afugentou os moradores locais, agora a feira debaixo da bomba. Só esperemos que não rebente! Então aí, só se salvam os que saltarem para a ribeira.
Há dias, dirigia-me para o Hospital a fim de visitar um amigo pessoal, quando esbarrei com muito trânsito na rotunda que dá acesso a Lordelo e à IP4 em direcção a Bragança. Ao ver uma ambulância no local, deduzi, logicamente, que seria um acidente. Mas em breve me certifiquei que se tratava apenas de afluxo de tráfego em direcção à feira. Prosseguindo, em marcha muito lenta, num percurso de alguns trezentos metros, entre esta rotunda e a que se situa em frente ao Hospital demorei quinze minutos. Enquanto conduzia, pude ver pessoas trepando as rotundas, carros fazendo inversão de marcha sobre a linha contínua e outros transeuntes que se movimentavam na via, atravessando-a apressadamente, fora das passadeiras. Os parques de estacionamento, que por ali existiam, pareciam estar esgotados, porque alguns condutores estacionavam já em cima dos passeios. As únicas duas faixas da via estavam de tal forma congestionadas, que dificilmente sobraria espaço para uma ambulância circular em situação de emergência.
Uma hora depois, Já de regresso a casa, ainda no parque interior do hospital, pude ver uma senhora, com um jogo de tapetes nos braços, dirigindo-se para o seu automóvel. Pensando bem, das duas, uma: ou a senhora foi visitar um familiar e depois foi à feira ou então, foi à feira e aproveitou para visitar um familiar ou amigo.
Além das vantagens, “dois em um”, comercial e lazer, já anunciadas pelos seus criadores, quando da divulgação deste “importante” espaço, acrescento esta, que talvez, lhes tenha escapado, ou não. Mas, que dá muito jeito, lá isso dá.

Publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 01/01/2009

“Pagamos e não bufamos”

Chegou-me às mãos, recentemente, uma factura de consumo de água, emitida pela EMAR, referente ao mês de Agosto, na importância de 146,99 euros. O seu valor excessivo não me surpreendeu, porque já me habituei a pagar a água que não gasto.
Quando digo que não gasto, é inteiramente verdade, porque apenas 50% desse valor é de água, os outros 50% são referentes a tarifas, como se pode verificar em qualquer documento de facturação de água. A factura da EMAR é uma autêntica mentira! Na vida, normalmente, todos nos deixamos enganar uma ou duas vezes, por um burlão engenhoso e, sempre que isso acontece, fazemos queixa à polícia. Nesta situação, somos enganados todos os meses e não nos queixamos a ninguém. “Pagamos e não bufamos”, como se diz na gíria.
A fórmula de cálculo encontrada para o pagamento das tarifas de lixo e esgotos é injusta e inaceitável, porque não apresenta uma correspondência directa entre o consumo de água e a produção de lixo e saneamento. Isto é, os consumidores podem produzir o lixo que entender que não pago mais por isso, desde que não gastem água. Por exemplo, podem ir à WC as vezes que quiserem, que o “serviço” não se reflectirá na factura. Desde que não descarreguem o autoclismo, claro! O cálculo está mesmo ao jeito dos sucateiros e albardeiros, porque só fazem lixo e não gastam água.
Na factura, estão discriminadas com o seu respectivo valor, “três disponibilidades”, uma referente a água, outra a esgotos e uma outra a lixo. Parece “algo suspeito”, mal declarado. Uma invencionice para cobrar mais uns cobres aos consumidores! Será? Provavelmente, um serviço que não existe! Pode existir no abstracto, mas então, que o explique concretamente, porque a discriminação não é suficiente. Assim, mais valia continuar a cobrar o aluguer do contador. Pelo menos, a arma do crime era visível.
A Lei 12/2008, no nº 2 do artigo 8º nas alíneas a), b), c) e d), proíbe a cobrança de qualquer tarifa que se assemelhe às, actualmente, impostas pela EMAR. Na interpretação da Lei, as taxas de disponibilidade têm de corresponder a um serviço fornecido ou a investimentos demonstráveis, o que não se verifica. Esta prática continuada é uma enorme ilegalidade.
O número 2 do artigo 9º da mesma Lei diz que “A factura a que se refere o número anterior deve ter uma periodicidade mensal, devendo discriminar os serviços prestados e as correspondentes tarifas”. Portanto, a EMAR e outras empresas congéneres estão obrigadas a emitir facturas mensais aos consumidores, de forma, a que estes possam controlar melhor os seus gastos. No entanto, esta empresa continua a incluir na factura de um mês o consumo de dois. Conforme consta no documento que referi inicialmente, as leituras reportam-se ao período de 2008/06/03 a 2008/08/04. É como champô, “dois em um”, sempre é mais económico!
Num momento em que tanto se fala em economizar água, porque ela é um bem essencial cada vez mais escasso, o consumo excessivo efectuado por alguns consumidores, nos meses de Verão, poderá estar inteiramente justificado. Muitas vezes, trata-se de fazer vingar um pequeno jardim que existe à frente de suas casas. Ao fazê-lo, voluntariamente, também estão a colaborar com os Serviços Municipalizados, nas tarefas de arranjo urbanístico e conservação de espaços verdes.
Na rua onde moro há 20 anos, nunca foi plantada uma única árvore nos passeios. As que existem foram plantadas pelos moradores, nos seus próprios espaços. Por isso, em vez do pagamento das “tarifas de disponibilidades”, estes, até deveriam ter uma redução de preço na água. Não acham?

Publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 30/10/2008