No dia nove de Outubro, desloquei-me aos serviços administrativos da UTAD para requerer um certificado de matrícula que é obrigatório entregar, todos os anos, à entidade empregadora durante o mês de Outubro, para não perder os direitos à assistência médica e ao subsídio familiar do meu descendente, enquanto estudante.
Logo que cheguei, deparei com uma fila de estudantes que aguardavam a sua vez para tratar variadíssimos assuntos. Tomei o meu lugar e mantive-me na fila durante um quarto de hora, aproximadamente. Ao fim desse tempo, um estudante que estava na fila, orientou-me para outra repartição dos mesmos serviços, ali próximo, onde poderia requerer o certificado de matrícula. Fui para lá, aproximei-me do “guichet”, pedi informação à funcionária que, prontamente, me despachou para o local de onde nunca deveria ter saído. Voltei e, como seria de esperar, encontrei a fila maior do que a tinha deixado. Tomei outra vez posição e passado algum tempo, como a fila não se mexia, perdi a paciência e dirigi-me ao balcão, dizendo o que pretendia. De imediato, a funcionária entregou-me um formulário e disse-me para o preencher e voltar para a fila. Como o objectivo era apenas requerer o documento, perguntei se não haveria outra forma de o fazer, pensando por exemplo numa caixa de correio onde pudesse meter um envelope com o impresso devidamente preenchido ou então, via internet. Mas foi-me dito que não. Agradeci a informação, olhei uma vez mais para a fila, contei por alto umas trinta pessoas e, sem mais, fui para casa preencher o impresso, pensando voltar num dia com mais sorte.
Teria sido um pouco arriscado tentar resolver o problema naquela altura, porque não tinha a certeza de poder ser atendido até à hora do fecho e, pelo despacho que as funcionárias demonstravam, era provável que, mesmo alguns dos que estavam à minha frente, ficassem para o dia seguinte. Estava de crer que assim fosse. Vendo bem o panorama, encontravam-se três funcionárias ao serviço, naquele momento, mas apenas duas estavam a prestar atendimento ao público. Dessas duas, uma delas ainda perdia algum tempo a pavonear-se. Também faz falta gente assim! Pelo menos, dá algum “décor” à situação e distrai os resignados.
Quando me dirigia para o carro, em conversa com alguém, ainda pude constatar que, afinal, não há mesmo dias de sorte. Nestes serviços, além de um horário de atendimento, já de si reduzido, os dias são todos de azar. Isto é, sempre que alguém necessita de tratar de algum assunto, apanha com fila e, às vezes, com alguma arrogância. Nem os dias de praxes se salvam!
De facto, veio-me à lembrança que, já há um ano ou dois, me tinha acontecido, o mesmo. Por isso, esta forma de atendimento já se arrasta há muitos anos.
Será que já não está na hora de mudar? Mas, afinal, não estamos a falar dos serviços administrativos de uma Universidade que parece querer pautar-se pela inovação e uso das novas tecnologias? Parece que, afinal, é só teoria! Então, já é possível constituir uma empresa em 48 horas e a UTAD não é capaz de implementar um programa que permita aos alunos solicitar, via internet, um simples certificado de matrícula e aos serviços administrativos responder de igual modo? Pelos vistos, os serviços só são retrógrados no processamento dos documentos, porque, no que toca ao pagamento, já são demasiado avançados. Por incrível que pareça, não aceitam dinheiro vivo, apenas cartão multibanco. Como é possível? E, já agora, onde está a “dita cuja” secretaria virtual?
Uma vez, recentemente, nomeado o Vice-Reitor para o Departamento de Assuntos Académicos, deixo aqui a questão para que ele mesmo possa responder. Mas, esperemos que o faça com mais rapidez do que algumas das suas funcionárias administrativas a atender o público.
Artigo publicado no Semanário A Voz de Trás-os-Montes em 23/10/2008
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1 comment:
Como há pouco prometi, cá estou a visitar este blog e a deixar a identificação do meu WWW.cogitarlamego.blogspot.com.
Os teus artigos são bem aquilo que disséste, mordazes, críticos, reivindicativos. Um abraço.
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