Perante tal visita, os seus intervenientes, professores e alunos, tiveram o cuidado de a programar com grande expectativa.
A visita decorreu no concelho de Sabrosa em tempos e espaços diferentes.
Primeiro, visitaram uma anta, a “Mamoa de Madorras”, monumento funerário, situado perto da Senhora da Azinheira. No local, os alunos, rodearam o dólmen e observaram-no pormenorizadamente, enquanto os professores explicavam a funcionalidade daquele tipo de monumentos, dos tempos mais remotos. Ali, puderam verificar, com algum desagrado, uma intervenção recente feita “à maneira de presidente da junta”. Sem ofensa para aquelas que desempenham com competência e isenção esse cargo político, mas que é normal acontecer pela insensibilidade de muitos autarcas. Alguns esteios da anta haviam sido reconstruídos em cimento, descaracterizando-a totalmente. Penso assim, porque me parece impossível ter sido obra de qualquer arqueólogo.
Em seguida, deslocaram-se ao Castro de Sabrosa, também conhecido por “Castelo da Sancha”, próximo da sede do concelho, com vestígios de ocupação romana e medieval. Está situado na parte mais alta de uma das vertentes do rio Pinhão virada a nascente, com uma vista panorâmica deslumbrante e implantado numa região classificada pela UNESCO, como Património Mundial da Humanidade. Tal como está, é um elemento da paisagem natural, que por si só, retiraria tal classificação, dado o estado lastimável em que ele se encontra. Ali mesmo, puderam constatar os intervenientes da visita.
Perante a impossibilidade dos autocarros chegarem ao local, o acesso fez-se a pé, através de um “estradão” de terra batida. Num percurso de um quilómetro, a duzentos metros do castro, todos puderam ver o que se pode considerar “uma vergonha”: um aterro, onde, habitualmente os construtores despejam o entulho das suas obras. Uma bela sala de visitas, sem dúvida! A subida ao monumento, estava de tal forma dificultada pela vegetação, que só a muito custo foi possível penetrar. Difícil até para qualquer rebanho de cabras! À semelhança do exterior, as muralhas interiores estavam também cobertas de arbustos. De tal forma, que os pormenores da sua construção, eram difíceis de ser observados.
Com esta visita, os professores pretendiam dar a conhecer, aos jovens estudantes, uma parte da cultura dos nossos antepassados e valorizar o Património Cultural e Arqueológico da nossa região. Mas, só foi possível levá-los a verificar a falta de sensibilidade e a irresponsabilidade, dos autarcas daquele concelho, que ali estava bem patente. Perante esta realidade, no lugar de quem tem responsabilidades, mandaria já retirar as placas que fazem a respectiva sinalética e só as colocaria de novo, quando os monumentos estivessem em condições de serem visitados.
Dir-me-ão os responsáveis, como é habitual, que não têm verbas para tais intervenções. Acredito que as verbas sejam escassas, mas então, evitem as cerimónias de fachada que lhes permitem ganhar votos em altura de eleições. Em vez de inaugurações, jantares, recepções a políticos, viagens para “velhinhos”, invistam nestes importantes monumentos, dignos de ser contemplados.
Eles não têm culpa de nada, por isso não podem ser maltratados.
Vítor Olo
