Monday, February 12, 2007

Professor-tutor, sim!


À semelhança do que se vem fazendo noutros países da União Europeia, o Ministério da Educação pretende criar a figura de "professor-tutor".
Segundo o Secretário de Estado da Educação, Válter Lemos, o novo sistema prevê a criação de um professor central ou tutor no 5.º e 6.º anos de escolaridade, num regime de monodocência coadjuvada, que leccionará várias áreas.
Sindicatos de professores e responsáveis de algumas universidades contestaram já a ideia e, como será de esperar, prevêem-se fortes reacções da classe a mais esta iniciativa do governo de Sócrates. A discussão sobre esta figura será inevitável e irá ter a discordância de um grande número de professores, porque o que os preocupa não será a figura em si, mas as mudanças nas práticas pedagógicas, que ela implicará, e muitos não estarão dispostos a fazê-las. Como tal, todo o ser humano é adverso às mudanças, mas elas são necessárias, embora, se considere que não devam ocorrer todas ao mesmo tempo.
A criação da figura professor-tutor e as medidas que a acompanham, a serem postas em prática, irão de certa forma, revolucionar o Ensino Básico. Assim, passará a existir, não um “super professor” (como alguns já dizem), mas um professor aglutinador de conhecimentos, capaz de compreender melhor os alunos e gerir a interdisciplinaridade. Esta ideia poderá contribuir para a implementação da escola inclusiva, uma escola para todos, há muito adiada.
Sabemos que, tal como têm sido “ministrados” os conhecimentos, quase sempre com recurso à exposição directa, os alunos não se motivam, as aprendizagens não se efectivam e o sucesso escolar não se verifica. É preciso, de facto, mudar as estratégias de actuação, recorrendo cada vez mais às aprendizagens significativas através de projectos dinamizadores que permitam maior envolvimento dos alunos e professores. Esta modalidade de ensino pode ser implementada a este nível e será, com certeza, bem acolhida pelos alunos. Provam-no muitas das experiências que estão a ser realizadas pelo país fora.
O modelo de ensino multidisciplinar, tal como está ao nível do 2º ciclo, só servirá as pretensões de alguns professores, porque os mantém no seu “cantinho”. Dispensa-os de muito trabalho de grupo e de articulação curricular, mas, nunca servirá os alunos, porque não os motiva. A demasiada carga horária, o excesso de conteúdos e as matérias desajustadas às necessidades presentes são, também, factores impedidores de aprendizagem.
Este novo modelo prevê outros professores, para além do professor-tutor, os quais trabalharão de forma coadjuvada. Provavelmente, passará a existir uma equipa mais pequena de professores multidisciplinares. Contudo, esta redução de professores, por turma, favorecerá a articulação curricular que, por sua vez, permitirá concretizar o trabalho de projecto. Acima de tudo, facilitará a introdução de metodologias que proporcionarão novas e diferentes práticas pedagógicas. Só assim, os alunos passarão a ser os protagonistas das aprendizagens e os professores verdadeiros orientadores.
O presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra criticou a intenção do Governo de introduzir um professor generalista no 2.º ciclo, considerando que representa "uma infantilização" deste nível de ensino. Como pode alguém, com tanta responsabilidade, fazer tais afirmações?
Qualquer mudança ou transição provoca no indivíduo insegurança e frustração. Por isso, a criança, nestas idades, pode levar algum tempo a adaptar-se a uma nova situação. Essa adaptação será mais facilitada se, o número de adultos com quem vier a conviver, for reduzido. Também está cientificamente provado que os resultados pedagógicos serão substancialmente melhores se existir, no aluno, bom equilíbrio emocional. Também se pode assegurar, que as aprendizagens se processam melhor, se tiverem carácter lúdico ou se forem realizadas através de representações.
Estando, as crianças, numa fase de desenvolvimento, de encantamento e de primazia ao jogo, que mal fará aprender, brincando? Nada as impede de tratar assuntos sérios e de se desenvolverem, mentalmente.
Deixem as crianças viver a sua infância!
Deixem as crianças ser crianças!

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