No dia 24 de Janeiro, tivemos conhecimento, pelos meios de comunicação, que o Ministério da Educação irá atribuir, já este ano, um prémio, no valor de 25 000 euros, ao “melhor” professor do ano. Poderão ser candidatos a este prémio professores dos 1.º, 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico e Secundário. Para além do “Prémio Nacional de Professores”, assim denominado, serão, também, atribuídos “Prémios de Mérito”.
A corrida ao prémio já começou e não vai faltar concorrentes. Trata-se de um concurso e, nestas situações, muitos não vão querer perder a oportunidade. Se não puder ser a “cenourinha” da Ministra, que sejam uns pozinhos de protagonismo e alguma projecção mediática. As propostas de candidatura estão, conforme manda o regulamento, a ser preparadas. Cabe aos Conselhos Executivos e às Associações Profissionais de Professores propor os candidatos ao galardão, os quais poderão ser também indicados por, pelo menos, 50 docentes do mesmo Agrupamento de Escola ou do mesmo grupo disciplinar. Até ao dia 30 de Abril, terão de ser submetidas, electronicamente, na Internet. Só depois será possível conhecer os “super magníficos” e, mais tarde, o vencedor.
Tenho muitas reservas, quanto às finalidades deste prémio, embora a Ministra defenda que ele irá contribuir para a qualidade do sistema de Ensino e valorização da escola. Penso que não servirá para coisa nenhuma. Pelo contrário, irá provocar mais fricções entre os professores, uma vez que, ao tentar escolher “o melhor”, sempre cria injustiças, deixando de fora outros que poderiam preencher os mesmos requisitos.
Ninguém tem que receber prémio extra por aquilo que faz. É o seu dever fazer o melhor que sabe e pode. Por isso lhe pagam, mensalmente. É certo que alguns deveriam ver os seus vencimentos reduzidos, todos os meses, porque não cumprem os seus deveres. Mas, muitos nascem já dotados e, pela vida fora, não lhes faltam oportunidades para por os seus dotes à prova. Por isso, não fazem favor nenhum, em serem os melhores.
Não concordo com a atribuição de quaisquer prémios. No entanto, parece-me que deve haver, sempre, reconhecimento pelo trabalho excepcional que não tem que ser materializado. Às vezes, o seu autor gostaria, apenas, de o ver promovido, experimentado e aplicado por outros. Quantos exemplos de boas práticas não existem, pelo país fora? As Universidades têm conhecimento delas, com certeza. Porque não as divulgam? Têm medo de perder a posse do conhecimento e do saber? Porque não importam elas essas práticas e os seus actores e, com eles, preparam os novos e verdadeiros professores? Preferem continuar a patrocinar os “oportunistas do saber” que, por conveniência ou favorecimento, lá foram parar. Também não é um prémio nacional de professores que vai fazer mudar as coisas. Ele não trará nenhuma mais-valia, para o Ensino. Talvez surtisse algum efeito um concurso com centenas de prémios iguais, porque, assim, seria mais abrangente. As expectativas geradas poderiam motivar, de forma excepcional, os professores. E, consequentemente, dinamizar o ensino.
Com os critérios de selecção propostos, vai ser mais difícil à Ministra encontrar um “magister expert”, do que à Maria Elisa descobrir o “grande português”. Tanto um concurso como outro serão virtuais. A diferença está na acção. Os candidatos da Maria Elisa não precisam de fazer nada. Já fizeram tudo, noutros tempos e nem sempre bem. Há, mesmo, um candidato que só cometeu barbaridades e, no entanto, está bem posicionado. Agora, os candidatos da Ministra terão de se esfolar, isso sim. Só um “super-professor” poderá alcançar o troféu. Mas, para ser sério, só poderá ser virtual. Não é possível um candidato, num só ano, preencher todos os requisitos.
Tendo em conta o carácter de excelência do prémio, os candidatos propostos deverão: ter promovido o sucesso dos alunos e a qualidade das aprendizagens; ter promovido o desenvolvimento do ensino experimental das ciências e a criatividade nas escolas; ter promovido a diminuição do insucesso e do abandono escolares, bem como a inclusão e a integração de alunos em situação difícil; ter orientado a sua actividade profissional, tendo em conta processos de avaliação e reflexão sobre as práticas de ensino; ter colaborado com os pais e com a comunidade educativa, desenvolvendo esforços tendentes à integração social dos alunos; ter contribuído para a melhoria do funcionamento e da organização da escola; ter contribuído para a formação e integração de novos professores; ter contribuído para a difusão de boas práticas educativas. Vejam só!
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