Aos moradores de Almodena, Fonte Nova e ruas circundantes, da freguesia de S. Dinis, em Vila Real, de nada lhes tem valido contrariar o voto PSD nas Autárquicas, votando PS. Até parece que estão a ser penalizados por isso.
Em termos de construção e arranjos urbanísticos, nada se tem feito, ultimamente. Permanecem de pé as aberrações dos prédios de Almodena, construídos ainda no tempo em que a Junta de Freguesia era PSD e mantêm-se, há mais de vinte anos, com aparência clandestina, as urbanizações Bairro Novo da Fonte Nova e Quinta das Botelhas.
É uma vergonha!
Os construtores não cumpriram o seu caderno de encargos, a Câmara não lhes fez exigências e as obras não foram concluídas. Depois deste tempo todo, as ruas assumem um aspecto degradante. O piso “está no osso”, os passeios não existem e o mato toma o seu lugar. De vez em quando, à procura de uns ramos verdes, passeiam, por lá, a toque de assobio e cajado, uns animais de quatro patas que largam, além da sua “fragrância”, algo parecido com azeitonas miúdas. Os candeeiros não foram, sequer, pensados. E a iluminação que existe, às vezes, é de “pisca-pisca”. Na urbanização Bairro Novo da Fonte Nova, pelo que dizem os moradores e segundo fontes da Junta de Freguesia, as baixadas eléctricas ainda são provisórias: “Fumam-se provisórios, enquanto não há definitivos”1.
A Câmara limitou-se, apenas, a dar o nome às ruas destas urbanizações, não avisou os moradores nem teve, sequer, respeito, pelos seus titulares, porque não as arranjou como devia para o dia do baptismo, nem lhes colocou as placas que mereciam. Mas, pelo que pude apurar, essas placas já existem, há muito tempo, só que nunca foram colocadas. Provavelmente, esqueceram- -se delas!
Em 21 de Junho de 2006, o Jornal “Notícias de Vila Real” avançou com a notícia “Almodena finalmente com placas toponímicas”, na qual a garantia da sua aquisição e respectiva colocação era dada por Nazaré Pereira, Vereador da Câmara Municipal, pelas suas palavras transcritas: “as placas estão todas encomendadas e começarão a ser colocadas logo que cheguem”, o que deverá acontecer durante o mês de Junho, como concluiu o referido jornal. A notícia referia, ainda, que a autarquia tinha investido 20 mil euros em cerca de 170 placas. Por isso, elas devem estar por aí, algures.
Graças ao voto de confiança dos eleitores naqueles que a têm representado, a freguesia de S. Dinis, de governação socialista, tem conseguido resistir ao poder social democrático que predomina neste concelho, desde que há eleições livres, em Portugal, com fortes prejuízos, para ela e seus residentes, em termos de desenvolvimento e investimento. Mas, Almodena é e sempre será o “parente pobre” das zonas da cidade. Contrariamente ao que deveria ter acontecido, a cidade desenvolveu-se e expandiu--se mais para nascente, com enormes prejuízos para a agricultura, destruindo propriedades e quintas de grande riqueza agrícola e em desfavor da parte poente. Provavelmente, os interesses e a especulação imobiliária falaram mais alto.
Se os Paços do Concelho e parte do centro histórico da cidade de Vila Real não se situassem nesta freguesia, a mesma já estaria dada ao esquecimento, definitivamente.
Só por isso se vai mantendo, provisoriamente...
1 Nota explicativa: (para os jovens leitores)
Em tempos, existiam duas marcas de tabaco económico sem filtro que eram concorrentes, mas semelhantes na forma da embalagem, na qualidade e no preço. Cada uma delas tinha os seus apreciadores. Sempre que os cigarros da marca “definitivos” se esgotavam na loja, os seus apreciadores optavam pela marca “provisórios” e, então, solicitavam-nos dizendo: “fumam-se provisórios enquanto não há definitivos”. E, assim, esta expressão passou a valer para tudo o que está por concluir.
Artigo Publicado no Semanário a Voz de Trás-os-Montes em 11 de Setembro de 2008
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